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Sede do reformatório onde funcionava a sede da Funai na Fazenda
Guarani e onde fi cava a solitária onde os índios
eram confinados -
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Em
julho, a Comissão Nacional da Verdade – sancionada pela presidenta
Dilma Rousseff para investigar violações de direitos humanos cometidas,
durante a ditadura militar, por agentes do Estado – anunciou que também
irá apurar os crimes contra os índios. “Vamos investigar isso, sim,
porque na construção de rodovias há histórias terríveis de violações de
direitos indígenas”, afirmou, na ocasião, o diplomata Paulo Sérgio
Pinheiro, um dos sete integrantes da Comissão.
Mas
o massacre de etnias que se opuseram a grandes obras é apenas um dos
capítulos dessa história. Tal como outros grupos subjugados nos “porões
da ditadura”, os habitantes de aldeias Brasil afora também foram alvo de
prisões clandestinas, associadas a denúncias de tortura,
desaparecimentos e detenções por motivação política. E que, ao contrário
de outros crimes cometidos pelo Estado à época, ainda não foram objeto
de nenhum tipo de reparação oficial ou política indenizatória.
Tais violações de direitos humanos apontam para o
município de Resplendor (MG), onde funcionou o Reformatório Agrícola
Indígena Krenak, um velho conhecido do pataxó Diógenes Ferreira dos
Santos. “Eu não gosto nem de falar, porque ainda me dá ódio”, diz, com o
semblante fechado de quem está prestes a tocar em lembranças difíceis.
“Mas quando puxa o assunto, meu irmão...” Quando começa, ele fala sem
parar. Diógenes era ainda uma criança no dia em que, conforme conta, viu
dois policiais se aproximarem da casa onde vivia, na Terra Indígena
Caramuru Paraguaçu, encravada em meio às fazendas de cacau da região sul
da Bahia. Vieram, diz ele, acionados por um fazendeiro, que reclamava
ser o dono daquele local. Para não deixarem dúvidas sobre suas
intenções, cravejaram de balas uma árvore próxima. E, logo depois,
colocaram fogo na casa onde o pataxó vivia com sua família.
Exilados
de seu território, Diógenes e seus pais viveram por cinco anos
trabalhando numa fazenda próxima. Até serem novamente expulsos, no final
da década de 1960. “Já que não tínhamos apoio de ninguém, decidimos
voltar para o Caramuru”, conta.
Lá chegando,
não demorou nem 15 dias para novamente apareceram policiais. Dessa vez
estavam incumbidos de escoltar Diógenes e seu pai até a cidade. “Ficamos
seis dias presos na delegacia de Pau Brasil (BA)”, relembra. “Até que
veio a ordem de nos levarem para o reformatório Krenak, que eu nem sabia
o que era”.
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| | | O índio pataxó Diógenes Ferreira dos Santos |
No
Krenak, a cerca de 700 km de sua terra natal, Diógenes, então ainda um
adolescente, descreve ter vivido uma rotina de trabalhos forçados,
realizados sob o olhar vigilante de policiais militares. “Íamos até um
brejo, com água até o joelho, plantar arroz”, revela. Cotidiano
interrompido apenas para esporádicos jogos de futebol, organizados pelos
guardas e de participação obrigatória, segundo o pataxó. “Meu pai não
gostava, nunca tinha jogado bola na vida. Aquilo era uma humilhação
para ele.”
Ironicamente, mais de 40 anos depois, o
Supremo Tribunal Federal (STF) anulou, em maio de 2012, todos os
direitos de propriedade dos fazendeiros que, nos dias atuais, ainda
ocupavam a Terra Indígena Caramuru Paraguaçu. Sacramentando, portanto, a
legitimidade do pleito de Diógenes na querela fundiária que o levou ao
cárcere
Pedagogia da tortura
O
reformatório Krenak começou a funcionar em 1969, em uma área localizada
dentro do extinto Posto Indígena Guido Marlière. Suas atividades eram
comandadas por agentes da Polícia Militar mineira, que, à época, recebeu
a incumbência de gerir as terras indígenas daquele estado por meio de
um convênio com a recém-criada Fundação Nacional do Índio
(Funai).
Num boletim informativo da Funai de 1972,
encontramos uma das poucas menções oficiais a respeito do local,
qualificando-o como uma experiência de “reeducação de índios aculturados
que transgridem os princípios norteadores da conduta tribal, e cujos
próprios chefes, quando não conseguem resguardar a ordem na tribo,
socorrem- se da Funai visando restaurar a hierarquia nas suas
comunidades”. Osires Teixeira, então senador pela Aliança Renovadora
Nacional (Arena) – o partido de sustentação da ditadura –, se pronunciou
sobre o tema na tribuna do Senado, afirmando que os índios do Krenak
“retornam às suas comunidades com uma nova profissão, com melhores
conhecimentos, com melhor saúde e em melhores condições de contribuir
com o seu cacique”.
À época, fora do governo – eram os “anos de
chumbo” da ditadura –, também se contam nos dedos as referências à
instituição. Em 1972, um enviado especial do
Jornal do Brasil chegou a entrar clandestinamente no reformatório, naquela que provavelmente é a única reportagem
in loco sobre o tema. Mas sua presença durou poucos minutos – segundo a própria matéria, ele foi expulso sob ameaças da polícia.
Ex-integrante
do Conselho Indigenista Missionário em Minas Gerais (Cimi/ MG), a
pedagoga Geralda Chaves Soares conheceu diversos ex-internos do Krenak.
Aquilo que ela relata ter ouvido sobre os “métodos reeducacionais” da
instituição – que incluíam indígenas açoitados e arrastados por cavalos –
sugerem o real motivo por trás de tanto sigilo. “Uma das histórias
contadas é a de dois índios urubu-kaápor que, no Krenak, apanharam muito
para que confessassem o crime que os levou até lá”, conta ela. “O
problema é que eles nem sequer falavam português”.
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| Foto atual de morador da Terra Indígena Maxacali | | | |
Um
dos mais graves exemplos de tortura remete ao indígena Gero Maxacali,
ex-morador da Aldeia Água Boa, em Santa Helena de Minas (MG). Levado ao
Krenak, conta Geralda, lá ele teria sido literalmente queimado por
dentro ao ser obrigado a beber, de forma alternada, leite fervendo e
água gelada. Depois disso, com dificuldades para se alimentar, passou a
ter sérios problemas de saúde – que, anos depois, o levariam à
morte.
O
Brasil de Fato teve acesso a
documentos da Funai que desnudam diversos aspectos sobre o cotidiano do
presídio indígena. Eles revelam que ao menos 120 indivíduos,
pertencentes a 25 etnias dos mais diferentes rincões brasileiros,
passaram pela instituição correcional. Pessoas que, via de regra,
chegavam a Resplendor a pedido dos chefes de posto local da Funai. Mas
também, em alguns casos, por ordem direta de altos escalões em
Brasília.
É o caso, por exemplo, de um índio canela,
do Maranhão, encaminhado à instituição em julho de 1969. “Além do
tradicional comportamento inquieto da etnia – andarilhos contumazes –, o
referido é dado ao vício da embriaguez, quando se torna agressivo e por
vezes perigoso. Como representa um péssimo exemplo para a sua
comunidade, achamos por bem confiá-lo a um período de recuperação na
Colônia de Krenak”, atesta ofício emitido pelo diretor do Departamento
de Assistência da Funai.
Homicídios, roubos e o
consumo de álcool nas aldeias – na época reprimido com mão de ferro pela
Funai – estão entre os principais motivos alegados para o envio de
índios a temporadas corretivas. Além disso, também transparecem na
burocracia oficial situações de brigas internas, uso de drogas,
prostituição, conflitos com servidores públicos e indivíduos penalizados
por atos descritos como vadiagem.
Boa parte desses supostos
roubos, conforme revelam os próprios ofícios internos da Funai, remetem a
atos de periculosidade risível, para dizer o mínimo. Gente como, por
exemplo, um maxacali flagrado afanando uma cigarreira, três camisas de
tergal, uma caixa de botões e alguns outros cacarecos na sede do seu
posto indígena. Ou, ainda, o xerente que, após beber em uma “festa de
civilizados”, voltou à aldeia pedalando a bicicleta de outra pessoa,
tendo esquecido a sua própria para trás – engano provocado pela
embriaguez segundo o próprio servidor local que solicitou a sua
remoção.
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| | | Imagens atuais do espaço onde funcionava a solitária |
As
estadias no reformatório podiam durar de poucos dias a até mais de três
anos. Para serem libertados, os internos dependiam da avaliação
comportamental dos policiais custodiantes, mas também de certa dose de
sorte para não se tornarem “índios extraviados” na confusa burocracia da
Funai. “Não sabemos a causa real que motivou o seu encaminhamento, uma
vez que não recebemos o relatório de origem”, escreveu aos seus
superiores o cabo da PM Antônio Vicente, um dos responsáveis locais,
sobre um índio xavante, considerado de bom comportamento, que lá estava
há mais de cinco meses.
Nesse balaio de gatos, alguns
casos soam quase surrealistas. Um deles ocorreu em 1971, quando chegou
ao reformatório um índio urubu-kaápor, com ordens de permanecer sob
severa vigilância e em alojamento isolado. Seu encaminhamento a um
“período de recuperação” justificava-se, segundo a Ajudância Minas-Bahia
– órgão da Funai ao qual estava subordinado o reformatório – por ele
ter praticado “atos de pederastia” em sua aldeia.
Dois meses
depois, consta nos documentos do órgão indigenista que ele se apoderou
de uma Gilette para tentar suicídio com um corte no abdômen. Recebeu
atendimento médico e, após alguns meses, tentou uma fuga, sendo
recapturado já em outro município.
Entre os internos,
havia também pessoas aparentemente acometidas de transtornos mentais,
vivendo no Krenak sem qualquer tipo de amparo psiquiátrico. A exemplo de
um índio da etnia campa, clinicamente diagnosticado como esquizofrênico
segundo relatório do próprio órgão indigenista. E que, entre outras
excentricidades, dizia possuir vários automóveis e aviões, além de ser
amigo íntimo do mandatário supremo da nação. “Sempre que um avião passa
sobre esse reformatório ele pula e grita, dizendo que é o presidente
vindo busca-lo”, relata um ofício a seu respeito.
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| Ocrides Krenak: preso pelo consumo de cachaça | | | |
Para
alguns dos indígenas, a ida ao Krenak provou-se um caminho sem retorno.
É o caso de Manoel Vieira das Graças, o Manelão Pankararú, levado ao
presídio indígena em 1969 após uma briga violenta com outros índios de
sua aldeia. Com mulher e filhos, Manelão está até hoje instalado em
Resplendor. Tal como outros índios que, desativado o reformatório,
permaneceram na região por conta de amizades e casamentos oriundos dos
anos de cárcere – havia também mulheres entre os prisioneiros.
Atualmente,
ele faz planos para revisitar a aldeia onde nasceu pela primeira vez
desde que saiu preso da Terra Indígena Pankararú, no sertão
pernambucano. “Eu me arrepio só de lembrar das nossas danças, das
brincadeiras e do Toré (ritual típico da etnia)”, confidencia, saudoso e
emocionado. Sua casa atual fica a poucos quilômetros da antiga sede do
Krenak, às margens do rio Doce, onde ainda existem as ruínas de concreto
e aço da sede da instituição, parcialmente derrubadas por duas cheias
no rio. Quando vier a próxima enchente, acreditam alguns moradores da
região, devem também vir abaixo as últimas paredes que insistem em ficar
de pé.
Entre os que não retornaram há também aqueles
cujo destino, ainda hoje, permanece uma incógnita. Situação que remete,
por exemplo, a Dedé Baena, ex-morador do Posto Indígena Caramuru, na
Bahia. “Ninguém sabe se é vivo ou morto porque foi mudado para o
presídio Krenak e desapareceu”, revela um não-índio, nascido na área do
referido Posto Indígena, em depoimento de 2004 à pesquisadora Jurema
Machado de Andrade Souza. Outros relatos atuais de indígenas da região
confirmam o sumiço.
Em agosto de 1969, conforme está
registrado em um ofício da Funai, Dedé foi levado a Resplendor a pedido
do chefe do Posto em questão, que o qualificou como um “índio problema”,
violento quando embriagado e dono de vasto histórico de agressões a
“civilizados”. Lá chegou inclusive necessitando de cuidados médicos, com
uma agulha de costura fincada na perna – ferimento ocorrido em
circunstâncias não explicadas.
Nos documentos aos quais teve acesso, o
Brasil de Fato não encontrou registros de sua eventual libertação, morte ou mesmo fuga.
“Índios vadios”
Paralelamente
à chegada dos “delinquentes”, dezenas de índios krenaks ainda habitavam
áreas vizinhas ao reformatório. Estavam submetidos à tutela dos mesmos
policiais responsáveis pela instituição correcional, o que os tornava um
alvo preferencial para ações de patrulhamento. Diversos deles acabaram
confinados.
Homens e mulheres krenaks foram também
recrutados para trabalhar na prisão indígena, e dão testemunho sobre as
violências desse período. “Quem fugia da cadeia sofria na mão deles”,
afirma Maria Sônia Krenak, ex-cozinheira no local. “E a mesma coisa as
crianças da aldeia. Se fugissem da escola, também apanhavam”.
Por
mais incrível que pareça, até mesmo a vida amorosa dos índios locais
passava pelo crivo da polícia. “Antes de responder ao ‘pedido de
casamento’, procedi (sic) uma sindicância sigilosa e sumária na vida
pregressa do pretendente, apurando-se que é pessoa pobre, porém
honesta”, aponta ofício escrito pelo sargento da PM Tarcisio Rodrigues,
então chefe do Posto Indígena, pedindo aos seus superiores deliberação
sobre o noivado de uma índia com um não índio dos
arredores.
Na Terra Indígena Krenak, homologada em
2001 em Resplendor, muitos ainda tem histórias para contar sobre esse
período. “Eu, uma vez, fiquei 17 dias preso porque atravessei o rio sem
ordem, e fui jogar uma sinuquinha na cidade”, rememora José Alfredo de
Oliveira, patriarca de uma das famílias locais. É um exemplo típico do
que, para a polícia, era considerado um ato de vadiagem.
Assim
como ocorria em outras regiões do país, os krenaks só podiam deixar o
território tribal mediante a autorização do chefe local da Funai. Até
mesmo a caça e a pesca fora dos postos indígenas – frequentemente
inadequados para prover a alimentação básica – podiam, à época, levar
índios Brasil afora diretamente ao reformatório.
Para
Geralda, ex-Cimi, por trás de situações como essas – de sedentarismo
forçado, prisões de “índios vadios” e até mesmo de supostos ladrões –
havia, na verdade, um contexto de conflito territorial. “Por exemplo, os
maxacalis (habitantes do Vale do Mucuri, no nordeste de Minas Gerais).
Nessa época eles atacavam as fazendas de gado. Estavam confinados num
posto indígena, passando fome, então caçar uma vaca era uma atividade de
caçador mesmo. E aí prendiam o índio porque ele tinha roubado uma
vaca”, contextualiza. “Mas, de fato, era uma questão de sobrevivência, e
também de resistência. Achavam que, pressionando os fazendeiros, eles
iriam embora. A compreensão maior de que a luta pela terra tem esse viés
da Justiça só veio depois.”
No início dos anos de 1970,
até mesmo a área ocupada pelos krenaks e pelo reformatório vivia dias
de intensa disputa, reivindicada por posseiros que arrendaram lotes nos
arredores. Como saída para o imbróglio, o governo de Minas Gerais e a
Funai negociaram uma permuta entre tais terras e a Fazenda Guarani, área
localizada em Carmésia (MG) e que pertencia à Polícia Militar mineira.
Em 1972, foram todos – os krenaks, o reformatório e os confinados –
deslocados para lá.
Logo após essa mudança, mudou também o
chefe da Ajudância Minas- Bahia. Quem o assumiu foi o juruna João
Geraldo Itatuitim Ruas, um dos primeiros servidores de origem indígena a
ocupar postos de comando na Funai. “Imagina o que era para mim, como
índio, ouvir a ordem do dia do cabo Vicente, botando todos os
presidiários em fila indiana, antes de tomarem um café corrido, e
falando que seria metido o cacete em quem andasse errado. E que, para
aquele que fugisse, havia quatro cachorros policiais, treinados e
farejadores, prontos para agir”, exemplifica. “Eles não trabalhavam no
sábado, que era dia de lavar a roupa, costurar, essas coisas todas. Mas,
durante a semana, era trabalho escravo!”
Frente a
essa realidade, Ruas afirma ter procurado o ministro do Interior –
Maurício Rangel Reis, morto em 1986 – para discutir o fim da instituição
correcional. Um encontro do qual diz ter saído sob ameaças de demissão.
Mesmo assim, ele conta ter começado a enviar, de volta às aldeias de
origem, diversos dos confinados. Ruas perdeu seu cargo pouco tempo
depois.
Mas enquanto alguns saíam, a Fazenda Guarani ainda
recebia, em meados da década de 1970, outras levas indígenas fruto de
litigâncias fundiárias no Brasil. Foi o que ocorreu com os guaranis da
Aldeia Tekoá Porã, em Aracruz (ES).
Os guaranis,
explica o cacique Werá Kwaray – que passou parte da sua adolescência em
Carmésia –, caminham pelo mundo seguindo revelações. E foi uma revelação
que levou o seu grupo a sair do sul do país, na década de 1940, em
busca da “terra sem males” – local onde, segundo as crenças da etnia, é
possível alcançar uma espécie de perfeição mística, algo como um paraíso
na terra. Liderados por uma xamã, chegaram a Aracruz duas décadas
depois. Mas sobre aquele lugar também repousavam planos para viabilizar
enormes plantações de eucalipto, um choque de interesses levou os
indígenas, sob pressão e a contragosto, para a Fazenda Guarani. “Foi uma
violação dos direitos sagrados dos nossos líderes religiosos”, expõe o
cacique.
Depois de alguns anos em Carmésia, os guaranis
retornaram a Aracruz, onde, em 1983, conseguiram a homologação da área
indígena que habitam até hoje.
A virada dos
anos de 1970 para os anos de 1980 marca as últimas denúncias sobre o uso
da Fazenda Guarani como local de prisão, confinamento ou despejo de
índios “sem terra”. Todos foram embora do local, à exceção de um grupo
pataxó que lá se instalou definitivamente após sair de áreas em Porto
Seguro (BA). Atualmente, o casarão que servia como sede aos
destacamentos policiais foi convertido em moradia para alguns desses
indígenas. E a antiga solitária local virou um depósito onde se empilham
os cachos de banana abundantemente colhidos nas redondezas.
O senhor e justo no meio dela ; ele não comete iniquidade ; cada manhã trazo o seu juizo á luz ; nunca falta ; mas o perverso não conhece a vergonha. SOFONIAS 3/5