OAB Rondônia propõe transformar presídios em escolas
A seccional Rondônia da Ordem dos Advogados do Brasil está realizando
estudos sobre o sistema penitenciário estadual e vai propor ao Governo
transformar as cadeias em escolas. Em seus primeiros levantamentos, a
OAB já constatou que enquanto a sociedade banca o custo de 2.100 reais
por mês para manter um preso, o custo para manter um aluno em sala de
não chega a 30 reais por mês.
Partindo desta constatação, a OAB entende que a única alternativa para
quebrar o perverso ciclo que realimenta o sistema prisional, é a
transformação dos presídios em escolas. Para o presidente da seccional
Rondônia da OAB, advogado Hélio Vieira, da forma como funciona hoje, sem
nenhuma atividade laboral, os presídios não passam de depósitos humanos
para pessoas excluídas da sociedade, sem oferecer nenhuma perspectiva
de recuperação. Os detentos hoje são jovem, com faixa etária entre os 18
a 27 anos.
O Estado de Rondônia tem, proporcionalmente, a maior população
carcerária do Brasil, não há expectativa de redução desse contingente e o
índice de reincidência é dos mais altos entre todas as regiões. As
informações emergem de um estudo que a seccional Rondônia está
realizando para apresentar sugestões aos responsáveis pela política
penitenciária de Rondônia, numa tentativa de evitar que, após cumprir
sua pena e pagar sua dívida com a sociedade, o ex-detento possa voltar
às ruas com alguma esperança de conseguir um trabalho e se encaminhar
por outros caminhos que não seja a reincidência no crime.
Com base nas experiências que vem sendo adotadas nesse sentido, a OAB já
constatou, por exemplo, que, como responsável pela tutela dos apenados e
pela sua ressocialização, o Estado deve encontrar mecanismos que
obrigue o preso a estudar. As informações levantadas pela Comissão de
Direitos Humanos da OAB já identificou que é muito baixo o número de
presos que aderem ao programa educação para jovens e adultos que é
oferecido no presídio e mais baixo ainda o número dos que conseguem se
formar.
“Já que não oferece o trabalho a que o preso tem direito enquanto cumpre
sua pena, o Estado precisa, pelo menos, oferecer meios para que eles
possam se qualificar através da conclusão dos estudos. Assim, ele terá
mais oportunidades para se encaminhar na vida depois que sair da
cadeia”, aponta a advogada Wanda Arruda, da Comissão de Direitos Humanos
da OAB Rondônia.
Presidente do Conselho Penitenciário Estadual, o advogado Pedro
Alexandre, lembra que o Ministério da Justiça oferece programa aos
empresários que desejarem participar da ressocialização de apenados
através de oferecimento de vagas de emprego. Em contrapartida, informa
ele, a empresa que oferecer vaga para mão-de-obra egressa do sistema
prisional terá incentivos na forma de redução de impostos, entre outros.
Ele destacou a iniciativa da Prefeitura de Porto Velho, que
disponibilizou 120 vagas para apenados, contribuindo sobremaneira para a
redução de um enorme contencioso social. De acordo com Pedro Alexandre,
o Conselho Penitenciário Estadual funciona no Shopping Cidadão, na
mesma sala onde está instalado o Conselho Estadual de Políticas Públicas
sobre Drogas – Conen, e pode auxiliar os empresários interessados em
contribuir para a recuperação de apenados.
"Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento;" (Provérbios 3 : 13)