sexta-feira, 13 de junho de 2014

LIVRO ESCRITO POR AGENTE PENITENCIÁRIO , CONTA HISTÓRIAS DE REBELIÕES DO MAIOR PRESÍDIO DO PARANÁ , A PCE.

O agente penitenciário José Vicente Bittencourt deveria estar de folga no dia 6 de junho de 2001, mas preferiu deixar o descanso para outro dia. No início do turno de trabalho, pela manhã, ele leu a escala para os quase 40 colegas que também assumiram o plantão. Para 25 deles, foi o anúncio de um dos episódios mais trágicos de suas vidas. Para Luciano Aparecido Amâncio, 30 anos, foi a sentença de morte.

Um mês antes, foi transferido José Márcio Felício, o “Geléia”, apontado como um dos fundadores de uma facção criminosa que passou a comandar presídios de todo o país. Em poucos dias, ele arregimentou aproximadamente 300 “soldados” na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara. O grupo criou um excelente relacionamento com os funcionários da Divisão de Segurança e Disciplina, na função também há pouco tempo.

Aparências

O início do plantão parecia tranquilo, mas, no final da tarde, José Vicente foi cercado e recebeu ordens de um preso, para que o acompanhasse. “Venha com a gente que a casa caiu”, disse. Começara a rebelião. Dos 26 agentes de plantão, apenas um foi atingido por golpes de estoque: Luciano Aparecido morreu na hora.

Os outros 25 funcionários foram separados nas celas, ficaram incomunicáveis uns com os outros e tiveram seus pertences recolhidos. Os presos queriam ser transferidos para outros estados e iniciaram a negociação com representantes do governo.

Nos primeiros dias, José Vicente recebeu comida, foi levado para uma cela com celulares para conversar com a família e ficou acompanhado por quatro colegas em um cubículo de 10 metros quadrados com televisão, onde acompanhava pelos noticiários o que acontecia dentro da penitenciária.
José Vicente era vigiado por “soldados” da facção criminosa, alguns portando armas brancas artesanais, outros com armas de fogo, granadas e até bombas caseiras. A energia elétrica e o fornecimento de água, alguns dias depois, foram cortados.
Passou o fim de semana e no quinto dia como refém, José Vicente viu o tratamento mudar. As negociações não chegavam a um consenso, porque os representantes do governo descobriram o assassinato de Luciano. Os agentes receberam seus coletes e foram levados até a laje do presídio, para provar que todos estavam bem.

Para tentar “consertar” a morte do agente, os líderes da facção ordenaram que três presos fossem executados. Dois tiveram as cabeças cortadas. A decisão piorou a tensão dentro da penitenciária e dificultou ainda mais as negociações.

Tensão

Os agentes começaram a receber ameaças até de abuso sexual, apanharam e sofreram torturas. Deixaram de receber comida e passaram frio. Eles foram apresentados ao Grupo de Extermínio, composto por 25 presos, cada um responsável por matar um dos agentes se a Polícia Militar invadisse o presídio para resgatar os funcionários.

Na manhã do dia 12, José Vicente foi escoltado para acompanhar as negociações. Quatro agentes foram liberados, a negociação começou a avançar, e mais 12 agentes voltaram para casa. José Vicente e mais oito colegas ficaram para garantir que os presos realmente seriam transferidos.

Os 23 detentos que pediram para ir para outros estados foram transferidos, deixando suas armas para os comparsas que permaneciam no presídio, liderando a rebelião. Outro grupo de presos tentou arrebatar os últimos agentes reféns, mas foi coagido pela facção criminosa.

Abraço

Depois de seis dias de desespero, os reféns foram libertados e puderam abraçar seus familiares, que permaneceram a todo o tempo angustiados do lado de fora do presídio, aguardando notícias. A narrativa de José Vicente Bittencourt é do livro Penitenciária: Estágio para o inferno, publicado no final do ano 2012.

Sindicato diz que ainda há perigo

O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná, (Sindarspen), José Roberto Neves concorda que os agentes continuam sofrendo os mesmos riscos demonstrados no livro de José Vicente. “Diminuiu a disputa por território e o assassinato de presos, porque a facção criminosa se estabelece como majoritária. Por outro lado, ela se organiza e assume um papel que é do Estado. Se não houver investimento no trabalhador e ele não receber estrutura adequada, não poderá cumprir a função do Estado e evitar que a facção criminosa o faça”, revela. O sindicato é contra a terceirização dos serviços prestados dentro dos presídios, por acreditar que o processo de contratação temporária não tem rigor, treinamento, nem avaliação psicológica ou testes físicos. Os salários dos profissionais terceirizados, segundo o presidente do Sindarspen, são mais baixos que os dos agentes.

Polêmica

O sindicato defende que os agentes tenham porte de arma para poder se defender de ameaças nas ruas, mas que trabalhem desarmados quando estiverem em postos de contato físico com os presos. Funcionários de guaritas e de grupos táticos, prontos para agir antes da chegada da PM, poderiam trabalhar armados para conter tumultos.

Registro de três décadas

A história trágica se repetiu outras vezes. Em junho de 2000, após um dia e meio de rebelião, um agente ficou paraplégico ao cair de quase 15 metros. Em janeiro de 2010, depois de 20 horas de rebelião, o saldo foi sete presos assassinados, três deles carbonizados, um deles decapitado. Três dos 14 agentes que estavam de plantão foram mantidos reféns.

No livro, escrito em forma de diário, há relatórios do período entre junho 1983 e setembro de 85, a maioria sobre as mortes dentro do presídio por disputa de território entre os presos. Também são narrados casos de corrupção de agentes, de abusos contra os presos, de tentativas de fuga frustradas e todas as dificuldades que passam os homens que decidem trabalhar nessa profissão.


Penitenciária hoje externamente (Pr Hugo e sua esposa Denise)
A situação hoje é bem diferente , pois depois da última rebelião de 2010 o presídio foi desativado e construída uma nova PCE ao lado da antiga unidade .
No ano de 2012 as instalações foram reformadas , dando lugar a PCEF ( Penitenciária Central Estadual Feminina) onde algumas igrejas fazem evangelismo.
Pastor Hugo Chavez da Igreja Missão Cristã diz : hoje este lugar , além de continuar sendo um presídio , se transformou em um pronto socorro de Jesus Cristo , onde graças ao apoio da direção , se adora a Deus e se recupera vidas.
Penitenciária Central Feminina por dentro (Pr Hugo e irmã Denise)

Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça;

Romanos 5:20

segunda-feira, 9 de junho de 2014

PROJETO "ACORDES LIVRES" EM PRESÍDIOS DO PARÁ TENTA DESCOBRIR TALENTO MUSICAIS ENTRE OS INTERNOS.

“A música é muito importante para mim, pois quando eu estava triste com alguma coisa, pegava o violão e tocava uma canção para me distrair. Isso tirava o peso do meu coração e ajudava a passar melhor o tempo”. O depoimento do interno Joycir Moreira mostra o resultado do trabalho executado pelo projeto Acordes Livres, do Núcleo de Reinserção Social da Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe). O objetivo é despertar e descobrir talentos musicais entre os internos por meio de aulas de canto e violão popular, usando a música como meio de reinserção social.
Iniciado em 2011, o projeto atende atualmente 65 internos de seis unidades prisionais da Região Metropolitana de Belém (RMB): Presídio Estadual Metropolitano 2, Centro de Detenção Provisória de Icoaraci, Centro de Recuperação Feminino, Centro de Recuperação do Coqueiro, Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico e Centro de Recuperação Regional de Mosqueiro.
Januário Palheta é um dos 16 internos participantes do projeto. Pianista profissional com formação clássica, ele já tocava piano desde os 8 anos de idade. “É um orgulho participar desse projeto. Muitos outros internos que nunca pensaram em tocar algum instrumento pedem hoje para participar do projeto também. Eles veem que, além da reinserção social, é uma forma de mostrar à sociedade o seu talento. A música é emoção e sempre foi o norte da minha vida.  Estando aqui no cárcere, tive uma grata surpresa, pois nunca imaginei que fosse encontrar música no lugar onde estou, o que é importante, pois a gente resgata toda uma possibilidade de ter um futuro melhor”, diz.
O instrutor musical Eliéser Vieira explica que os alunos aprendem noções de partituras, acordes, ritmo e também canto. O repertório do grupo já conta com 70 músicas de ritmos variados desde MPB, até ritmos regionais como a guitarrada. “As pessoas ainda tem receio de trabalhar com a população carcerária. Eu sempre interagi com eles durante as aulas sem qualquer problema. Há um respeito recíproco entre professor e aluno. O aprendizado flui porque há uma troca de ideias entre todos do grupo”, destaca o músico.

Louvai ao SENHOR, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre.

Salmos 136:1

PENITENCIÁRIA SUPERLOTADA DE IPERÓ (SP) 2.900 DETENTOS : OREMOS PELA SUA SALVAÇÃO!!

Em Iperó a situação também é considerada preocupante. Na Penitenciária Odon Ramos Maranhão são 2.900 presos, sendo que a capacidade é para 1.268 presidiários. Na unidade são 185 agentes de segurança penitenciária. O quadro ali foi agravado pela inauguração do Anexo de Detenção Provisório (ADP) e da Ala de Progressão Penitenciária (APL). "No anexo trabalham apenas dois funcionários por turno. Quando um está de folga o outro atende os quatro raios com mais de 300 presos sozinho"

Penit. "Odon Ramos Maranhão" de Iperó

Coordenadoria da Região Central

Endereço: Estrada Municipal Iperó/Tatuí, Km 5,5 - Horto Florestal Bela Vista
CEP: 18560-000 - Iperó - SP
E-mail: dg@ipero.sap.sp.gov.br
Fone: (15) 3266-1006  Fax: (15) 3266-1877
População prisional - data: 05/jun
Capacidade: 1286   População: 2214
Anexo de Detenção Provisória
Capacidade: 344   População: 291
Ala de Progressão Penitenciária
Capacidade: 221   População: 290
Ficha Técnica
Área construida: 40000 m²
Data de inauguração: 17/09/1999
Regime: fechado e semiaberto

LEMBRAI-VOS DOS PRESOS....................              HEBREUS 13/3

domingo, 8 de junho de 2014

ONG "TEM QUEM QUEIRA" FABRICA ARTIGOS PERSONALIZADOS , REAPROVEITANDO BANNERS E USANDO MÃO DE OBRA CARCERÁRIA.

No Rio de Janeiro, a ONG Tem Quem Queira emprega 40 funcionários que cumprem pena nos regimes fechado, semiaberto e aberto. A ideia nasceu em setembro de 2008, quando a executiva Adriana Gryner, que trabalhava em uma agência de eventos corporativos, percebeu que poderia gerar renda com o reaproveitamento de banners na confecção de bolsas e artigos personalizados.
Abriu a primeira oficina dentro da penitenciária Vieira Ferreira Neto, em Niterói, e a segunda em uma rua próxima. Por uma parceria com a Fundação Santa Cabrini, do governo do Rio de Janeiro – que cuida da seleção e pagamento dos empregados –, Adriana treinou e contratou costureiros, cortadores e auxiliares de serviços gerais.
“Nunca soubemos de alguém que tenha voltado para o crime depois de passar pelas oficinas”, conta Gabriela Guedes, gerente geral do projeto. A “empresa social” – como Gabriela prefere chamar a ONG – já ajudou funcionários a financiar suas próprias máquinas de costura e, assim, começar a trabalhar por conta própria.
Luís, um dos funcionários da oficina, foi contratado em janeiro deste ano com carteira assinada, após ter cumprido sua pena. A cada três dias trabalhados, ele abateu um dia de condenação.
As empresas que fazem parcerias com órgãos públicos e entidades para contratar presidiários não precisam estabelecer vínculo empregatício, nem pagar encargos trabalhistas como FGTS, férias e 13º salário, já que o contrato de trabalho é regido pela Lei de Execuções Penais, e não pela CLT (Consolidação das Leis de Trabalho).
Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que coordena o programa “Começar de Novo”, há hoje 3.512 vagas abertas em empresas de todo o Brasil para detentos e pessoas que já cumpriram pena. “A maioria só contrata ex-presidiários se houver algum incentivo financeiro”, analisa José Pastore, professor de economia e administração da Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro “Trabalho para Ex-infratores” (Ed. Saraiva).
De acordo com o estudioso, o incentivo que o Estado de Minas Gerais passou a dar às empresas que contratam ex-detentos aumentou a adesão ao programa. Em São Paulo, Pastore conta que as companhias só contratam ex-presidiários ao descobrirem que é pré-requisito para vencer licitações com órgãos públicos.

Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.

João 15:14

sábado, 7 de junho de 2014

A MÚSICA COMO INSTRUMENTO DE RESSOCIALIZAÇÃO DE PRESIDIÁRIOS.

A música é comprovadamente, um instrumento fundamental na reinserção social de detentos e ex-presidiários.
A bíblia relata no livro de 1 Samuel 1/23, que estando o rei Saul atormentado por um espírito mau , o jovem Davi tocava sua harpa , e aquele espírito se afastava do rei.
A música hoje não somente ajuda na libertação dos presidiários, como os estimula a seguir a vida ministerial ou profissional na área musical.
Tanto os músicos que fazem parte das equipes de evangelismo para encarcerados , como os próprios detentos , manifestam muito empenho e amor com a música .
Nós presídios que realizamos evangelismo e ressocialização  no estado de Paraná ( Brasil) , graças a Deus, contamos com o apoio dos diretores das instituições , afim de permitir o uso de instrumentos musicais por parte das igrejas e dos internos.
No presídio CPAI em Piraquara , onde há uma capela ecumênica para 180 pessoas sentadas , as instituições religiosas tem contribuído para aquisição de diferentes instrumentos.
O louvor entoado por parte dos internos nos cultos , sempre vai acompanhado pelos acordes destes instrumentos , o que da um sentido maior de adoração ao Nosso Deus.
Muitos egressos são hoje músicos profissionais , ou fazem parte do louvor de suas igrejas , testemunhando que a música foi fundamental na suas reinserção social .
Talvez seja no presídio um dos lugares que se louva a Deus com mais sinceridade , sabendo os internos que o amor e misericórdia  do Senhor os alcançou de maneira sobrenatural.
Assim o Salmos 138 reflete a realidade e a gratidão dos encarcerados ... EU TE LOUVAREI , DE TODO O MEU CORAÇÃO!!