terça-feira, 7 de agosto de 2012

PARCERIA PUBLICO PRIVADO TRANSFORMA UM DOS MAIORES PRESIDIOS DO MUNDO COM 12 MIL PRESOS

Prisão se transforma em negócio rentável na Índia

Prisioneiros de Tihar, em Nova Déli, trabalham na padaria.

No presídio Tihar, em Nova Déli, são produzidos bolos, pães e biscoitos diariamente, que são distribuídos para toda a cidade.A padaria foi criada originalmente para atender aos 12 mil internos da maior prisão do sul da Ásia, mas agora vende para estabelecimentos da capital indiana, com a marca TJ´s.Os administradores do presídio dizem que aprender novos talentos vocacionais pode se tornar uma parte importante no processo de reabilitação e ajudar os prisioneiros a se integrarem na sociedade quando forem soltos. 

"Programas para o desenvolvimento de habilidades são muito importantes. Nós chamamos essas medidas de justiça restauradora", diz Kiran Bedi, que foi a primeira mulher policial da Índia e é ex-inspetora geral das prisões. 

"Na verdade, o programa conseguiu muito apoio de todos, incluindo das vítimas, que vêem isso como um caminho positivo para o futuro destes criminosos", diz.

Bom negócio

Além de bolos e pães, cerca de 2.500 prisioneiros de Tihar estão empregados em outras sete fábricas dentro do presídio, que incluem uma tecelagem e uma fábrica de papel reciclado.
A unidade de carpintaria faz móveis para escolas e escritórios estatais e os uniformes escolares são feitos na seção de alfaiataria.
Prisioneiros na alfaiataria em Tihar.
Além da padaria, presídio tem outras sete fábricas que empregam os internos
A divisão química produz óleo de mostarda orgânico e, recentemente, foi inaugurada uma fábrica de sapatos construída com fundos de uma parceria público-privada.
Os produtos "made in Tihar" lucraram 150 milhões de rúpias (R$ 5,3 milhões) em 2010, transformando a prisão na maior varejista de todas as categorias, de biscoitos a roupas.
O lucro das vendas, feitas em algumas lojas no Tribunal Supremo de Nova Déli e no site da prisão, é usado para financiar as despesas do presídio.
Mas segundo o porta-voz de Tihar, Sunil Gupta, os administradores querem expandir a rede de distribuidores e fazer com que os produtos sejam vendidos em todo o país.
"Estamos propondo um aumento no salário dos prisioneiros. Queremos convidar artistas e designers de todo o mundo para ensiná-los como melhorar os produtos", diz.
Energia criativa
Somente prisioneiros que foram condenados por crimes sérios podem trabalhar nas fábricas da prisão.
Na medida em que as operações cresceram, as horas de trabalho aumentaram de turnos de seis para turnos de oito horas, seis dias por semana.
Um trabalhador experiente recebe 52 rúpias (R$ 1,85) por dia e aqueles que tem pouco ou nenhum treinamento recebem 44 rúpias (R$ 1,57) e 40 rúpias (R$ 1,43), respectivamente.
Os salários dos prisioneiros vão diretamente para poupanças que podem ser acessadas por suas famílias fora da prisão.
Prisioneiro na tecelagem em Tihar.
Os prisioneiros indianos são pagos de acordo com sua experiência
Um programa desenvolvido pelo músico popular Kamal Sabri, também permite que os prisioneiros aprendam a tocar diversos instrumentos musicais todas as noites em Tihar.
O plano de Sabri é produzir um disco de música clássica indiana, com uma música tocada pelos internos.
"Ha tantas pessoas criativas e talentosas aqui. É importante dá-los oportunidade de usar esse talento", diz.
Para alguns deles, como Ajay Hazra, a hora da liberdade está próxima. Ele passou mais de 13 anos em Tihar e trabalha na padaria há 7 anos.
"Eu passei muito tempo aqui e conseguir um emprego quando estiver fora vai ser difícil", diz.
"Mas o que aprendi aqui vai me dar uma grande vantagem. Espero poder abrir minha própria padaria quando estiver livre."

 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

SEM DIZIMOS NEM OFERTAS IGREJAS DESISTEM DE EVANGELIZAR PRESIDIOS


Norma do CNPCP proíbe recolher dízimo em reuniões realizadas dentro de presídios

Norma do CNPCP proíbe recolher dízimo em reuniões realizadas dentro de presídios

A norma que regulamenta os cultos e assistência religiosa em presídios definindo entre outras coisas que não se pode mais pedir o dízimo nem vender materiais religiosos dentro das penitenciárias.O Conselho Nacional de Política e Penitenciária (CNPCP), órgão ligado ao Ministério da Justiça (MJ), decidiu normas que regulamentam os cultos e assistência religiosa em presídios definindo entre outras coisas que não se pode mais pedir o dízimo nem vender materiais religiosos dentro das penitenciárias.

A norma não engloba apenas evangélicos, pelo contrário, permite que representantes de todas as religiões tenham acesso aos detentos e para que este trabalho seja realizado os voluntários não precisarão mais passar por revista íntima. Mas somente instituições com mais de um ano de existência poderão se cadastrar para fazer trabalhos dentro dos presídios.

Os elementos para rituais dessas religiões estão autorizados, mas desde que esses objetos não apresentem riscos para a segurança. “A resolução efetiva o direito, deixando bem claro o direito da prática religiosa, mas sem abrir mão da segurança, porque estamos falando de presídios e não de locais abertos”, afirma o presidente do CNPCP, Geder Luiz Rocha Gomes.

As normas foram elogiadas pelo pastor Edvandro Machado Cavalcante, coordenador da Pastoral Carcerária da Igreja Metodista do Rio de Janeiro, ele que já trabalha na assistência religiosa a presidiários há mais de 10 anos considerou a medida positiva. “A legislação dava uma de João sem braço. Isso era um ponto muito delicado, principalmente aqui no Estado do Rio. Os agentes penitenciários não faziam, mas teoricamente poderiam fazer. Acho muito importante que isso fique claro. Porque aquela revista é vexatória”, afirma.

O religiosos também concorda com a proibição da arrecadação de dízimos e a venda de materiais ligados às religiões, pois acredita que apesar da oferta fazer parte da prática religiosa de algumas igrejas, dentro dos presídios a assistência religiosa deve ser feita de forma diferente. “Ir lá para arrecadar junto a essa população tão espoliada é uma indignidade, violenta o principio mais básico da dignidade humana. É uma preocupação de muito bom tom, apesar da portaria 005 da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária di Rio de Janeiro (SEAP), que regulamenta a ação do agente religioso, já deixar claro que não pode haver comércio nem arrecadação”, completa.A maioria das unidades prisionais já conta com um local destinado as práticas religiosas, essa medida vem para defender esse espaço e também para defender que este espaço seja usado também para atividades educativas e profissionalizantes.

 
"Vale a pena pregar a palavra nos presídios?" 

Desde o ponto de vista financeiro não haveria nenhum interes para as igrejas realizar evangelismo nos presídios.
Existem normas internas que proíbem dentro dos presídios pedirem qualquer tipo de contribuição financeira o que afugenta muitas vezes os religiosos. 
Porem todo aquele que tem dentro de si a chama acesa do IDE do senhor Jesus, e uma consciência cristã verdadeira não olha para as barreiras e limitações que possa achar pela frente.
O Grupo de Evangelismo Semeadores de Esperança ’’colocam-se a dispor do senhor Jesus para cumprir o que esta escrito no livro de Mateus 25:39. E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?   
Estamos juntos em nessa grande obra porque cremos que DEUS tem poder para libertar, transformar e restaurar vidas, que a sociedade discrimina e nega novas oportunidades.
Durante os anos que temos realizado evangelismo em presídios e delegacias os frutos tem surgidos de maneira constante em libertações de drogados,criminosos,traficantes e restauração de famílias destruídas, os quais hoje são fieis servos de DEUS.
Nosso blog quer trazer até você parte de nosso trabalho com testemunhos,fotografias, rogando a vossas orações em nosso favor

Que Deus abençoe a todos

Pr.Hugo Daniel (coordenador de evangelismo

domingo, 5 de agosto de 2012

GRANDE VITORIA: PRESOS DE MINAS GERAIS ENTRAM NA UNIVERSIDADE

O sonho de cursar o Ensino Superior se transformou em realidade, neste ano, para cinco detentos do sistema prisional de Minas Gerais. Eles foram aprovados no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e por terem conseguido boas notas, também receberam bolsa do Programa Universidade para Todos  (ProUni).

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Os novos universitários vão fazer cursos presenciais, em faculdade, e também na modalidade de ensino à distância. Todos iniciam as aulas ainda neste mês. Com o ingresso dos cinco presos no Ensino Superior neste ano, sobe para 17 o total de detentos do Estado matriculados em faculdades e universidades.

Dos cinco aprovados, quatro cumprem pena na Penitenciária José Maria Alkimin, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os detentos estudam na Escola Estadual César Lombroso, que funciona dentro da unidade prisional. O quinto aprovado está detido no Presídio de Pouso Alegre, no Sul de Minas, e recebeu a bolsa integral do ProUni.

Para o secretário de Estado de Defesa Social, Lafayette Andrada, o resultado reflete o investimento do Governo de Minas na humanização do sistema prisional, por meio do estudo e do trabalho. “Temos investido fortemente na ressocialização dos detentos, para que eles estudem e trabalhem e nunca sejam um peso para a sociedade. Aprendendo um ofício, seja pela profissionalização dentro das unidades prisionais, seja pelo aprendizado de um Ensino Superior, estes presos poderão ter um futuro diferente quando cumprirem suas penas”, destacou o secretário.

Aprovados


Os presos Roberto da Silva Pereira, de 28 anos, que está no regime fechado, e Arllan Gonçalves Martins, de 24 anos, do regime semiaberto, vão cursar Ciências Econômicas na Faculdade de Estudos Administrativos (FEAD), por meio do ensino à distância. Lázaro Jordão Pimentel, 30 anos, do regime fechado, também fará a modalidade à distância, mas o curso escolhido foi o de Marketing, na Faculdade Anhanguera. Os três detentos estudarão dentro da própria unidade prisional, por meio de computadores disponibilizados pela penitenciária, com o acompanhamento da pedagoga da unidade.

Roberto da Silva Pereira concluiu o Ensino Médio na escola da Penitenciária José Maria Alkimin e agora, por meio do Enem, conseguiu a bolsa para cursar Ciências Econômicas. “Estou bastante animado para começar as aulas. É bom poder usar o tempo que estou preso para estudar, para que não seja um tempo perdido. Vou sair daqui com uma formação, o que vai ser bom para o meu currículo”, afirma.

O preso José Carlos da Silva, 44 anos, por sua vez, fará o curso presencial de Comunicação Assistiva, na PUC Minas do Coração Eucarístico, após o recebimento da autorização judicial para o estudo. José Carlos está no regime semiaberto e já tem a autorização judicial para trabalho externo.

O outro preso que começará a faculdade está detido no Presídio de Pouso Alegre, no Sul do Estado. Alexsandro Camargo dos Santos, de 35 anos, foi aprovado no Enem Prisional e selecionado para uma bolsa de estudos integral na Universidade Paulista (UNIP). O detento vai cursar Gestão da Tecnologia da Informação por meio da modalidade à distância. “Nunca imaginei que iria fazer faculdade de dentro de um presídio. Estou muito motivado e contente”, conta Alexsandro.

Segundo o diretor de Atendimento do Presídio de Pouso Alegre, Gilberto Vicente da Silva, esta foi a primeira vez que a unidade participou do Enem Prisional. “Ficamos surpresos porém satisfeitos com o resultado. Ações como essa incentivam não só a capacitação profissional, mas também a conclusão dos estudos entre os detentos”.

Estudo


e.jpgAtualmente, cerca de 5.500 presos estudam enquanto cumprem pena em unidades prisionais mineiras. Pelo estudo, os detentos têm redução da pena: a cada 12 horas de estudo, um dia é reduzido da sentença a ser cumprida.

Além dos presos que começarão a faculdade este ano, outros sete detentos receberam a certificação do Ensino Médio após a realização do Enem Prisional em 2011. Nestes casos, as notas obtidas não foram suficientes para o recebimento da bolsa do ProUni, porém permitiram a aprovação no exame. Os presos aprovados no Enem estão detidos no Presídio de São João Del Rei, na região Central, na Penitenciária Doutor Manoel Martins Lisboa Júnior, em Muriaé, na Zona da Mata, no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte, no Presídio Professor Jacy de Assis, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e nos Presídios de Itajubá, Lavras e Andradas, todos no Sul de Minas.

Enem Prisional

As provas do Enem Prisional foram realizadas nos dias 28 e 29 de novembro de 2011. Em Minas Gerais, 795 detentos de 43 unidades se inscreveram para o exame com o objetivo de conquistar o certificado de conclusão do Ensino Médio ou se candidatar a vagas em instituições de Ensino Superior. Dos 795 inscritos, 640 realizaram a prova.

Este foi o segundo ano em que as provas aconteceram em unidades prisionais de Minas Gerais. O número de participantes, no último ano, foi mais de três vezes maior que no ano anterior, quando 233 presos se inscreveram e 221 realizaram, de fato, a prova No primeiro dia de prova foram avaliados os conteúdos de Ciências Humanas e Ciências da Natureza e no segundo dia os conteúdos abordados foram Linguagens, Códigos, Matemática e Redação.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Remição pela leitura e Projeto Bereia


 

Remição pela leitura

O corregedor-geral da Justiça Federal, ministro João Otávio de Noronha, e o diretor-geral do Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça (Depen), Augusto Eduardo de Souza Rossini, assinaram a Portaria Conjunta nº 276, no último dia 20 de junho. O dispositivo traz as normas que regerão, a partir de agora, o funcionamento do projeto “Remição pela Leitura”, criado em 2009, na Penitenciária Federal de Catanduvas (PR). As prisões federais de Campo Grande (MS), Porto Velho (RO) e Mossoró (RN) também estão adotando a iniciativa.

A proposta do projeto é oferecer ao detento a oportunidade de reduzir a pena por meio da leitura de livros. Os presos são voluntários e têm de 21 a 30 dias para ler uma obra e produzir uma resenha. O cumprimento das atividades poderá resultar em quatro dias a menos de pena, por obra lida, ou até 48 dias, no prazo de um ano. Para isso, as unidades que adotarem o projeto, deverão dispor de uma biblioteca com, no mínimo, 20 exemplares de cada obra a ser trabalhada. Integram a iniciativa, em geral, livros direcionados à reflexão e à formação social do indivíduo, a fim de auxiliar o detento no processo de ressocialização. São títulos nacionais e internacionais como Crime e Castigo, de Dostoiévski, e Incidente em Antares, de Érico Veríssimo.

Modelo e paradigma

Pioneira da iniciativa, a Penitenciária Federal de Catanduvas conta com uma biblioteca cujo acervo ultrapassa os quatro mil exemplares. O projeto surgiu de uma parceria com a comunidade e a Justiça Federal, que doaram os primeiros livros. Atualmente, o modelo é adotado por outras Penitenciárias Federais e por alguns Sistemas Penitenciários Estaduais. A “Remição pela Leitura” disputou o concurso de 1º Prêmio Nacional de Boas Práticas em Políticas Criminais e Penitenciárias do CNPCP em 2010. Antes, o Conselho da Justiça Federal (CJF) e o Depen, indicaram o projeto como paradigma a ser seguido, por meio do Enunciado nº 12:“O projeto de remição pela leitura será adotado, também, para reintegração social do preso”.

Segundo o delegado de Polícia Federal e diretor da unidade de Catanduvas, Fabiano Bordignon, desde o início do projeto, mais de 200 presos já tiveram suas penas reduzidas por meio da leitura. “A aprovação dessa Portaria é o reconhecimento de que a iniciativa foi bem aplicada e a ideia é, de fato, inovadora. Acredito que a leitura qualificada influencia o positivamente os seres humanos”, avalia.

No início, conta o diretor, os presos receberam o projeto com desconfiança, mas hoje, assim que entram, já querem aderir. “Por isso, em breve, iremos implantar o estudo das obras em grupo e com os professores da penitenciária”, adianta. Fabiano revela ainda que o sucesso do projeto “Remição pela Leitura” já ultrapassa as fronteiras do Brasil. “A China quer conhecer o nosso modelo e, por isso, enviará representantes para uma visita à penitenciária neste mês”, comemora o delegado.

Fonte: Conselho da Justiça Federal
 
PROJETO BEREIA

O meu povo foi destruído por que lhe faltou o conhecimento, porque tu rejeitaste o conhecimento.Oséias 4:6
 
Deus tem nos manifestado a nessecidade de ver os detentos do regime semi aberto ocupando seu tempo em algo que los tire das coisas que não agradam a Deus e por sua vez adquirindo conhecimento e crescendo na graça de nosso senhor Jesus Cristo.
Porque temos escolhidos a Colonia Penal Agrícola de Piraquara - Paraná?
A CPA é um lugar com 1500 detentos em regime semi aberto e dizer eles tem a liberdade de andar no espaço 1.656,65ha, realizando diferentes atividades como por exemplo cursos,esportes,serviços nas empresas ali estabelecidas e também frequentar a capela ecumênica.Lamentavelmente muitos optão por não realizar nenhuma dessas atividades.
Porem a uma grande parte que são evangélicos e muitos outros que não sendo evangélicos frequentam regularmente os trabalhos evangelisticos da capela e para eles que são destinados os livros da biblioteca do Projeto Beréia.
Talvez você querido leitor de nosso blog tenha livro de autores evangélicos dos mais diferentes ministério os quais estão guardados em algum canto empoeirado e queira dar-lhes uma utilidade melhor doando-los para o Projeto Beréia.
Na 1° fase do projeto arrecadamos certa quantidade de livros e revistas os quais foram repassados para a coordenação da capela como mostram as fotos.
Estamos recebendo livros,revistas e matérias de escola bíblicas em bom estado de conservação nois não encaminharemos mais material em péssima condições
Você pode fazer sua doação de qualquer parte de Paraná ou Brasil, completamente voluntário nois não se responsabilizamos por custo de envio.



QUEREMOS AGRADECER O PASTOR OSVALDINO MONTEIRO DE CAMPO GRANDE(MATO GROSSO) PELA DOAÇÃO DO LIVRO DE SUA AUTORIA"CONHECER PARA CRER"  

VOCÊ AMIGO E ESCRITOR DA UBE QUE DESEJAR CONTRIBUIR COM LIVROS DE SUA AUTORIA NOS COLOCAMOS A SUA DISPOSIÇÃO PARA RECEBER SUA DOAÇÃO

Endereço:
Rua:Marte  Quadra 33 Casa 3
Bairro Sitio Cercado-Curitiba-Paraná
CP:81900065
Contatos 041-33493707 ou 041-91869242 ou 041-84871084
Pastor Hugo Chavez




quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O TERRIVEL DRAMA DAS CRIANÇAS QUE MORAM NOS PRESIDIOS COM SUAS MÃES

Juan, 2 anos, na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Várzea Grande, Cuiabá, no Mato grosso (Beto Novaes/EM/D.A Press)
Juan, 2 anos, na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Várzea Grande, Cuiabá, no Mato grosso

Eles são como todos os bebês: engatinham, mamam no peito, comem papinha, não desgrudam das chupetas, fazem gracinhas e causam emoção ao falar "mamãe". O que os torna diferentes é o ambiente à volta. Em vez de quartos limpos, cheirosos, coloridos de rosa ou azul e decorados com motivos infantis, centenas de brasileirinhos, de até 2 anos, vivem trancafiados em celas fétidas de presídios femininos nos quatro cantos do país, alguns em condições subumanas. No lugar dos gradis dos berços, as crianças que nasceram no cárcere e nunca passaram dos portões das penitenciárias conhecem apenas as grades que os confinam com as mães, condenadas ou esperando julgamento por seus crimes. Aos filhos do cárcere, liberdade é algo distante. Resta-lhes um único direito: o amor materno. Essa realidade tão chocante quanto desconhecida da população brasileira o Estado de Minas começa a mostrar hoje em uma série de reportagens produzidas depois de percorrer presídios de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Mato Grosso, Pernambuco, Pará e Distrito Federal, onde 244 crianças (número subestimado) “cumprem pena”.


Contradições que balançam o berço
 Diretores de unidades do sistema carcerário nem sempre seguem a legislação que rege a convivência entre as condenadas e seus filhos 



"É muito duro ver uma mãozinha dessa segurando a grade. Até corta o coração", diz E. S., com o filho de 5 meses
Enviada especial a Cuiabá e Várzea Grande (MT)
O Brasil tem uma legislação avançada para assegurar diretos a presidiárias e seus filhos. A Lei 11.942, de 2009, estabelece a convivência entre mãe e criança do nascimento aos 6 anos. Prevê ainda berçários e creches nos presídios femininos para atendimento adequado ao crescimento dos menores. Mas, na prática, é diferente. Bem ao jeito brasileiro, o que há atrás das grades é um arremedo de assistência. Uma colcha de retalhos costurada pela direção dos presídios, que tem o poder de determinar o tempo de permanência do filho com a mãe, de acordo com as condições do deteriorado sistema carcerário brasileiro. Em Brasília, a criança é retirada da prisão aos 6 meses; em Curitiba, é possível que ela fique até os 6 anos. Em Minas, elas deixam o cárcere aos 2 anos e, no Pará, ao nascer. 
A falta de estrutura para a infância nas penitenciárias femininas suscita o debate sobre a necessidade de revisão da atual legislação. A promotora mineira Vanessa Fusco Nogueira Simões, que defendeu dissertação de mestrado sobre o tema, quer encaminhar ao Ministério da Justiça projeto de lei que exija autorização judicial para a permanência da criança nas cadeias, instalação de berçário, creche e a redução da idade de acompanhamento. Na mesma tecla bate o promotor José Antônio Borges Pereira, que exerceu o cargo na Promotoria da Infância e da Juventude e foi autor de um habeas corpus que retirou 30 mulheres e seus filhos das celas insalubres da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Várzea Grande, na Região Metropolitana de Cuiabá (MT). “A Constituição garante liberdade às crianças”, resume José Antônio.

NOS OLHOS
 W.A., de 40 anos, é o retrato fiel das mães que engrossam a população feminina carcerária do Brasil. Ela é uma das poucas não beneficiadas com o habeas corpus coletivo da Justiça. No mais absoluto ócio, W.A. fala apenas com os olhos encharcados de tristeza. A única luz que emite deles é quando o irrequieto J., o filho de 2 anos, passa correndo pelo estreito corredor da cela-berçário, espalhando alegria. A acusada de tráfico de drogas está presa há dois anos e cinco meses e sente na pele a lentidão da Justiça brasileira. Ainda espera julgamento. Ela foi presa em Cáceres, conhecida rota de traficantes, quando grávida de cinco meses, e transferida para a penitenciária, quando J. nasceu. Ela repudia ver o filho repetindo gestos de adultos condenados, como “bater a bigorna” (bater na grade) para chamar a guarda. Para suportar a dor diz: “Ele precisa esquecer que teve uma infância sem liberdade”. W.A. é mãe de outros cinco. Ela era arrimo de família e tentou sorte melhor no lucrativo negócio das drogas. “Não valeu a pena. A riqueza que tinha era a minha família e tudo ruiu como um castelo de areia.”
E. S., de 26, tem mais em comum com W.A. do que o simples fato de estar encarcerada em Várzea Grande. Sob o calor de 44 graus, ela balança um bebê de 5 meses para tentar aliviá-lo da alta temperatura, que desafia o velhoventilador, mais barulhento que eficaz. E.S. caminha sem rumo pelo exíguo espaço e, ao se aproximar da grade da janela onde acomoda a criança, não se contém: “É muito duro ver uma mãozinha dessa segurando a grade. Corta o coração”. Mãe de outros três, ela não tem qualificação profissional, assim como 45% das detentas sem o ensino fundamental completo. Faz parte da faixa etária mais frequente entre as mulheres que tentam ganhar dinheiro com o tráfico: 62,6% têm entre 18 e 34 anos. E.S. não escapou também de outra estatística, que faz crescer o número de detentas: prisão por venda de entorpecentes, em que se enquadram 61,8% das condenadas. Ou seja, quase três vezes mais que o número de homens – 23,08% da população carcerária masculina – sentenciados pelo mesmo crime no Brasil. Não bastassem as condições indignas de cumprimento da pena, a grande maioria das mães vive na mais absoluta solidão. Não recebem visitas, porque 45% delas são de cidades ou regiões distantes dos presídios. A mãe de E.S., que cria os netos de 11, 8 e 5 anos, só conseguiu ver a filha uma vez, há sete meses.

O QUE DIZ A LEI
A Lei 11.942, sancionada em 2009 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, institui: “Os estabelecimentos penais destinados a mulheres serão dotados de berçário, onde as condenadas possam cuidar de seus filhos, inclusive amamentá-los, no mínimo, até 6 meses de idade”. O artigo 89 determina: “A penitenciária de mulheres será dotada de seção para gestante e parturiente, e de creche para abrigar crianças maiores de 6 meses e menores de 7 anos, com a finalidade de assistir a criança desamparada, cuja responsável estiver presa”. Diz ainda serem requisitos básicos da creche e berçário “o atendimento por pessoal qualificado, de acordo com as diretrizes adotadas pela legislação educacional e em unidades autônomas; e horário de funcionamento que garanta a melhor assistência à criança e à sua responsável”. 
O amargo da colmeia
Na Penitenciária Feminina do Df não entram brinquedos, por questão de segurança, faltam espaço e alimentação adequada aos filhos das presas 
Tatiane da Silva tem que usar a criatividade para preencher o tempo com M. e vê o desenvolvimento do filho prejudicado pelo confinamento (Breno Fortes/CB/D.A Press)
Tatiane da Silva tem que usar a criatividade para preencher o tempo com M. e vê o desenvolvimento do filho prejudicado pelo confinamento
O chocalho feito com uma caixinha de papelão e pedrinhas trilha o caminho de uma ala para outra. É assim que Tatiane da Sillva, de 32 anos, tenta distrair o filho M., de 5 meses, quando a cólica insiste em atrapalhar o sono da criança. O truque ela aprendeu na primeira passagem pela Penitenciária Feminina do Distrito Federal (DF), conhecida como Colmeia, quando a filha, hoje com 12 anos, reclamava de dor, fome ou tédio. Tatiane é reincidente no crime e na gravidez atrás das grades.
Condenada pela segunda vez por tráfico de drogas, ela chegou grávida à prisão. Mãe de cinco filhos, logo que os primeiros enjoos começaram pediu o exame.  Estava grávida havia um mês. Quando o bebê nasceu, mãe e filho foram transferidos para a ala dos berçários, um "luxo" dentro do presídio. As mulheres têm direito a dormir em cama e não em blocos de concreto. Em vez de celas, quartos. Também não sofrem com superlotação. Mas o cenário não muda: continuam trancadas e sem nada para ver além de muros e cercas da Colmeia, a 40 quilômetros do Palácio do Planalto.
A segunda gravidez de Tatiane na prisão passou sem sustos. Ela sabia o que a esperava. Iria sentir falta do apoio emocional de um parente e do marido. Teria dificuldade para dormir quando a barriga crescesse e a comida do refeitório lhe daria náuseas. "Na primeira vez, enlouqueci. Não é fácil passar nove meses sozinha. É muito diferente ter um filho na rua e aqui." A mãe experiente também aponta diferenças no desenvolvimento das crianças. Os meninos aprisionados, segundo ela, têm um ritmo mais lento daqueles que nascem fora. Faltam espaço, alimentação adequada, remédio e convivência com outras crianças.
Na Colmeia, a direção estimula o aleitamento materno. Não só pelos benefícios já tão conhecidos, mas pela falta de alimento adequado às crianças, como frutas e legumes. Quem não tem leite para amamentar até os 6 meses, prazo em que os bebês têm que deixar a cadeia pelas regras do DF, depende de doações de leite em pó. Roupas, remédios e produtos de higiene pessoal também chegam pelas mãos de voluntários. Brinquedos não entram. Podem ser transformados em armas. Por isso, sobram chocalhos de pedras e saquinhos plásticos nas mãos das crianças.
"A gente bem que tenta inventar alguma coisa, porque o grande sofrimento é não ter o que fazer. O tempo não passa. Os filhos ficam presos pagando pelo crime da mãe", lamenta Tatiane. Nem na única TV do berçário as crianças têm prioridade. "Entre a novela e o desenho, a novela sempre ganha", brinca, em um dos poucos momentos de descontração. Tatiane é séria e acompanha com o olhar todos os movimentos do filho.
Os dois não se desgrudam. M., assim como os outros bebês, segue a dura rotina imposta à mãe. Raramente, ele sai do colo. Passa, logo pela manhã, pelo "confere" – quando uma agente penitenciária fiscaliza quem está na cela. Toma banho de sol e vai para a a ala de confecções do presídio, onde Tatiane trabalha. M. fica em meio às máquinas, tecidos e as colchas de retalhos que serão vendidos na Feira da Torre de TV, em Brasília.
Tatiane sabe que em um mês terá de se separar do filho. Não quer sofrer como da outra vez, com a filha. Ela se sente mais preparada para voltar para a ala comum e para ficar longe da criança, que vai morar com o pai e os irmãos. "Você tem que pensar nos filhos em primeiro lugar e aqui não é lugar para eles." O ideal, segundo ela, seria a criança ficar até 1 ano com a mãe. É que a Justiça no DF só autoriza a visita depois de completar 1 ano.
Ela ficou três anos sem ver a primeira filha que teve na prisão. A garota foi entregue a uma prima, que não levou a menina para visitá-la. Quando saiu da penitenciária, ela sofreu com a rejeição. A garota não a reconhecia. "Passei três anos tentando mostrar à minha filha todo o meu amor e que eu era mãe dela. Isso não é justo nem para a mãe e nem para os filhos. Mas não quero filho meu vivendo na cadeia e abaixando a cabeça para agente penitenciário ou colocando o braço para trás toda vez que encontrar um policial civil." A filha sabe que nasceu em uma prisão. Tatiane fez questão de contar e espera que isso sirva de lição e não de preconceito.

VERDADE O medo da reação da filha ao saber que nasceu em uma prisão tira o sono de Daniela Alves da Silva, de 23. "Não sei se ela vai me perdoar, se vai aceitar. Pode pensar que roubei a infância dela porque ficou aqui comigo. Não gosto nem de pensar", diz, com lágrimas nos olhos, a Miss Penitenciária 2009. Na verdade, o sono de Daniela anda bem turbulento. Ela também não para de pensar na separação da filha. A menina, de 6 meses, vai passar o Natal e a virada de 2011 com a mãe e depois ficará com o pai. "O tempo todo somos só nós duas. Não sei como será." Ser mãe era um sonho antigo de Daniela. Ela só não imaginava que seria nessas condições. Presa em 2007 por assalto à mão armada, deve terminar a pena em dezembro do próximo ano. "Só quero sair daqui, trabalhar e criar minha filha em um ambiente melhor."
EU VI...
Penitenciária Feminina do Distrito Federal (DF)

'"Moço, você pode me dar uma foto?' Quando nos preparávamos para sair da penitenciária, fomos surpreendidos pela pergunta das duas mães. Durante horas, eu e o repórter-fotográfico Breno Fortes perguntamos, perguntamos, perguntamos. Queríamos saber tudo sobre a vida de mãe e filho atrás das grades. Nossa ideia era entender como é compartilhar com alguém aquela experiência que parece tão solitária, apesar de o espaço estar sempre cheio de pessoas. Tatiane e Daniela se abriram. Choraram, se emocionaram e relataram o dia a dia na Colmeia. Mas, no fim, queriam guardar um registro dos filhos, que no próximo mês devem ir embora. As crianças nunca tinham tirado uma foto e as mães querem ter uma imagem delas por perto. Cada presa tem direito a quatro fotos. Elas já escolheram as de que mais gostaram." (A.R.) 
Três gerações e uma só história
Mãe, filha e neto vivem a dura rotina da vida em um presídio da Grande BH. Em comum com as outras detentas, o desejo de ver as crianças em liberdade 
Maria Clara Prates
Observadas de perto pela agente penitenciária, R.A. e C.G., mãe e filha, cada qual com seu bebê no colo, unidas desde o momento da prisão por tráfico de drogas  (Beto Novaes/Em/D.A Press)
Observadas de perto pela agente penitenciária, R.A. e C.G., mãe e filha, cada qual com seu bebê no colo, unidas desde o momento da prisão por tráfico de drogas
As cenas seguintes poderiam ser simplesmente um registro de três gerações de uma família. Mas são o retrato de uma tragédia à brasileira, que se desenha para o futuro. R.A., de 38 anos, traz nos braços o filho de 11 meses, ao lado da filha C.G., de 22, com o seu bebê de 10 meses no colo. Uma família como tantas outras não fosse pelo fato de mãe, filha, filho e neto estarem em reclusão, desde dezembro, no Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade, em Vespasiano, Região Metropolitana de Belo Horizonte. R.A. e C.G. foram presas juntas em casa, no Bairro Pires, em Congonhas, Região Central de Minas, a 89 quilômetros da capital, quando a polícia descobriu que elas escondiam droga no terreno onde viviam. Embalando o filho, R.A. busca força para falar, depois de um longo suspiro, e não consegue mais do que balbuciar: “É difícil, mas Deus dá força”. Usa da simplicidade para disfarçar a falta de perspectiva para o futuro. Condenada a cinco anos de detenção, ela tem dois filhos fora da cadeia, um de 19 anos e outro de 10, além da filha presa. Discreta, mantém os olhos sempre baixos e aproveita o tempo na cadeia para participar da oficina de produção de bolsas. Evita falar sobre o que ocorreu desde a prisão. Como se seu destino também já estivesse traçado, apesar da juventude, C.G. diz que também tem outro filho, uma criança de 3 anos. A ele, ainda resta a companhia do pai, um trabalhador. C.G. segue os passos de R.A. novamente e aproveita o tempo sem o filho para frequentar a oficina de bolsas. Na unidade de Vespasiano, uma das mais bem equipadas para mães, as presas têm ainda a possibilidade de estudar, quartos sem grades, paredes decoradas com motivos infantis e berços, apesar do apertado espaço. R.A. e C.G. não demonstram revolta pela parte que lhes coube na vida.

PRESSA
No sentido inverso, G.M.F., de 32, não consegue disfarçar a revolta ao ver a filha, M., de 2 meses, na prisão. Mãe de outros nove filhos, oito vivos, está de volta ao centro depois de desrespeitar as normas da prisão albergue. Ela foi detida em 2009 por tráfico de drogas, depois de assumir os “negócios” que eram tocados pelo marido, preso um ano antes. G.M.F. estava condenada a cinco anos de prisão, dos quais cumpriu um ano e dois meses, até conseguir o benefício. Perdeu a cabeça na rua e o direito às saídas durante o dia. Foi reconduzida à cadeia em 20 de outubro. “Estou buscando força em M. para mudar de vida. Meus outros filhos estão com a minha mãe, em Itajubá (Sul de Minas, a 448 quilômetros de BH). Gostaria que  M. também fosse para lá, mas não há condição financeira.”
Há uma razão para a pressa de G.M.F.  em se separar da filha: que a criança tenha a menor recordação possível da falta de liberdade. “Vou tentar explicar a ela o que é certo e errado, mas não vou esconder que passou por essa experiência ruim.” G.M.F. está aproveitando o tempo no presídio para concluir o 1º ano do ensino fundamental. Na aula de matemática, enquanto faz anotações no caderno, mantém no antebraço a filha, que dorme como anjo, indiferente às angústias da mãe. Para a detenta, o único sonho é retomar a liberdade e conseguir emprego. “Dinheiro não importa mais. Meu marido já cumpriu pena e trabalha como pintor.”
EXCLUSÃO B.L.S., de 28, condenada a três anos e quatro meses de prisão e mãe de um bebê de 5 meses, é taxativa: “Isso aqui não é lugar para criança. É como se estivessem presas”, afirma, apesar da boa estrutura do centro. E usa o cotidiano para expressar a dureza da exclusão de seu filho do mundo: “Imagine uma criança que nunca viu um bicho, um cachorro, que nunca conviveu com um homem. Não deveria existir esse lugar”. Dentro do perfil traçado pelos números no último censo penitenciário, em 2008, ela tem ainda outro filho, de 5, que vive também sem o pai, condenado a sete anos de prisão por tráfico de drogas, em Varginha, Sul do estado. R.A., C.G., G.M.F. e B.L.S. fazem parte de uma população de 69 mulheres abrigadas no centro de Vespasiano, nove delas gestantes. Ali, vivem como qualquer dona de casa. Dividem o tempo entre a aulas, as oficinas de trabalho e as tarefas domésticas. Elas são responsáveis pela lavação da roupa dos bebês e usam o tempo livre nos banhos de sol. Para melhorar a qualidade de vida das crianças, a direção evita o alojamento. Só não consegue mesmo evitar a falta de liberdade. Os muros altos, com equipamentos de segurança, e as guardas fardadas, de coletes à prova de balas, lembram que ali é lugar de cumprimento de pena em regime fechado.
EU VI...
Centro de Referência à  Gestante
Privada de  Liberdade, em  Vespasiano (MG)


“Muros altos, com pintura manchada, equipamentos de segurança e uma pesada porta de ferro batido, com apenas uma portinhola para contatos com o mundo externo. No interior, a revista ao visitante é constrangedora, mesmo que isso ocorra em uma sala pintada em tom pastel, com figuras infantis nas paredes. Os celulares são confiscados e trancafiados por agentes penitenciárias com coletes à prova de balas. Os próximos passos são ainda mais pesados. Não se veem celas, apenas quartos com bercinhos colados às camas das mães. Aos desavisados, poderia parecer quartos simples de maternidade. Mas a diferença está no olhar triste e vacilante das mulheres que balançam os filhos. Os bebês mantêm a inocência. E diante da inocência sai a pergunta desconcertante de uma condenada: ‘Como posso querer meu filho junto de mim se roubo dele o direito de conhecer o mundo? Ele não conhece os bichos, cachorros, galinhas...’. Um misto de enjoo e impotência toma conta de mim. Gostaria de sair dali correndo. Deixaria para trás o problema, mas o dilema se as crianças devem cumprir pena ao lados das mães, como prevê a lei, martela incessantemente em minha cabeça.”  (M.C.P.)