.:GESE:.: Outubro 2012

Adicionado 13/07/2012

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A 10 ANOS DOS CRIMES,SUZANE VON RICHTOFEN DISPUTA HERANÇA COM SEU IRMÃO

Suzane von Richtofen e irmão disputam metade da herança

TERRA 31/10/2012 10h19
Mesmo depois de ter planejado a morte dos pais em outubro de 2002, Suzane von Richtofen, 28 anos, disputa a metade da herança que caberia a ela com o irmão Andreas, 25 anos. Os bens da família estão avaliados em mais de R$ 11 milhões, entre dinheiro em contas bancárias e imóveis. Todos os bens estão bloqueados pela Justiça, inclusive a casa em que ocorreu o crime, que permaneceu fechada nos últimos 10 anos, e está avaliada em cerca de R$ 2 milhões.
Em fevereiro do ano passado, a Justiça decidiu que a jovem não tem direito aos bens por ter participado da morte dos pais. Como o dinheiro da família foi considerado a principal motivação do crime, foi decidido em primeira instância que ela é "indigna de receber a herança". Os advogados de Suzane recorreram e o caso segue em análise da Justiça.
Uma nova decisão deve sair nos próximos dois anos, mas ainda assim há possibilidades de novos recursos. O irmão de Suzane, Andreas von Richtofen é estudante de química na Universidade de São Paulo. Nestes dez anos, falou sobre o crime apenas no julgamento, onde foi ouvido como testemunha.
Na ocasião, disse que era muito apegado à irmã, mas, em um determinado momento, depois do crime, já não conseguia nem mais olhar para ela. "Ainda está difícil aceitar uma atitude dessas". "Se ela diz que tanto me ama, porque fez isso?", perguntou. Andreas conta que o tempo todo Suzane tentou atrapalhar o inventário dos bens dos pais e que ela mandou contar até os talheres da casa, para que nenhum objeto fosse retirado sem seu consentimento. "São recursos e mais recursos e o inventário não sai do lugar", disse ele, em juízo.
O crime
Suzane chegou em casa - no bairro do Campo Belo, zona sul da capital paulista -, por volta da 0h15 do dia 31 de outubro de 2002 acompanhada pelo namorado Daniel Cravinhos, na época com 21 anos, e pelo irmão dele, Cristian Cravinhos, então com 26. Segundo a investigação da polícia, ela subiu até o quarto dos pais e deu sinal verde para que os dois fossem ao piso superior do sobrado, onde os pais - Manfred e Marisia Richtofen dormiam.
A materialização do crime foi apresentada quatro anos depois, durante o julgamento dos reús, em fotos da perícia e do Instituto Médico Legal, que mostraram corpos desfigurados e o real tamanho da tragédia. O casal foi espancado com bastões até a morte. A mãe de Suzane ainda passou por um processo de estrangulamento.
Condenação
Após quase quatro anos do assassinato do casal, Suzane e os irmãos Cravinhos foram condenados por duplo homicídio triplamente qualificado. A soma total das penas dos três condenados chega a 115 anos de reclusão. Nenhum deles pode recorrer da sentença em liberdade.
Suzane foi condenada a 19 anos e seis meses pela mãe e 19 anos e seis meses pelo pai - um total de 39 anos de reclusão, mais 6 meses de detenção e 10 dias de multa por fraude processual. Daniel, a 19 anos e seis meses pela morte de Manfred e 19 anos e seis meses pela morte de Marisia - total de 39 anos de reclusão e seis meses de detenção.
Cristian Cravinhos foi condenado a 18 anos e seis meses pela morte de Marísia e 18 anos e seis meses pela morte de Manfred - 38 anos de reclusão mais seis meses de detenção. Os dois irmãos também foram condenados a seis meses de detenção mais 10 dias de multa por fraude processual.
Os condenados ouviram a sentença de pé, em frente ao juiz. Cristian estava ao centro, Daniel à esquerda e Suzane à direita. O policiamento da sala de julgamento foi reforçado por cerca de 20 policiais militares.
O julgamento de Suzane e dos irmãos Cravinhos, realizado no Fórum da Barra Funda, durou cinco dias. No total, foram quase de 56 horas de julgamento, em julho de 2006.


Acreditamos na recuperaçao dos presidiarios e os apoiamos ; sempre que eles demonstrem sinais de arrependimento.
Suzane se torno evangelica no presidio de Tremembe,inclusive pregadora da palavra ,porem não basta se dizer evangelica e não mostrar frutos do seu arrependimento, por tão brutal crime envolvendo seus pais.
A disputa pela herança com o seu irmão caçulo mostra poucos indicios de mudança de caráter e ponto de vista ,que a levou a planejar junto com os irmãos Cravinhos o assessinato de seus proprios pais.
E evidente o amor ao dinheiro que ainda a aprisiona ,e que a desacredita diante a opinião publica e inclusive nos faz duvidar de sua verdadeira conversão
Deus verdadeiramente não se deixa escarnecer e ele bem conhece a intençao do coração de Suzane.

SEMEADORES DE ESPERANÇA

Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males. 1 Timoteo 6/10


terça-feira, 30 de outubro de 2012

141 DETENTAS DE PRESIDIO DE SAO PAULO ESTÃO GESTANTES

Companheiro de 85% das presas de SP também está preso, diz pesquisa

Em 30 de outubro de 2012 
Estudo foi encomendado pela Secretaria de Administração Penitenciária.
Média é de quatro filhos por mulher presa no estado de São Paulo.
Fonte: G1

Crédito: RCadeia de Itatinga, no interior de São Paulo
Uma mulher jovem, negra, semianalfabeta, que trabalhou quando criança, com quatro filhos e cujo marido ou companheiro também está preso. Esse é o perfil geral da presidiária no estado de São Paulo, traçado por uma pesquisa inédita encomendada pela Secretaria de Administração Penitenciária a qual o G1 teve acesso.

O estudo foi realizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Ensino e Questões Metodológicas em Serviço Social (Nemess), da PUC de São Paulo. De acordo com a coordenadora da pesquisa, a professora Maria Lúcia Rodrigues, foram entrevistadas 1.130 presidiárias, por meio de questionários e entrevistas aprofundadas em 11 unidades prisionais - de um total de 19 em todo o estado administradas pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). O estudo durou 10 meses e foi concluído nesta terça-feira (30). A população carcerária feminina é de 10.909 mulheres - já a de homens é de 177.665.

O trabalho apresenta "diretrizes, políticas e serviços" para a elaboração de 10 mil manuais a serem distribuídos para todo o sistema prisional. De acordo com o estudo, 60% das presas do estado se declaram solteiras, 45% têm até 29 anos e 46% dizem ter trabalhado quando criança. "Sempre um trabalho muito duro, elas faziam questão de dizer. Ou trabalharam na roça, ou como domésticas", conta a pesquisadora Márcia Helena de Lima Farias.

A reincidência entre as presas é de 29%, e a grande maioria delas, 85%, tem o marido ou companheiro também presos. "O problema que se vê é: com quem ficam os filhos? Porque o fato de os dois estarem presos desestabiliza a casa", analisa a autora do recém-lançado "Entre as leis da ciência, do Estado e de Deus - o surgimento dos presídios femininos no Brasil" e antropóloga Bruna Angotti. Para ela, "o argumento de que as mulheres entram no crime por influência do parceiro é complicado do ponto de vista sociológico, porque é como se elas não tivessem potencial de serem autoras, de fazerem suas próprias escolhas", diz a antropóloga. 

Outro dado que chama a atenção no estudo é o tipo de crime cometido pela maioria das mulheres: 72% estão presas por tráfico de drogas. "O crime está muito interessante, muito rentável. [...] A proteção não vem da política pública, vem do crime organizado. Ele compete com o Estado", diz Maria Lúcia. De acordo com Bruna Angotti, muitas vezes essas mulheres entram no tráfico para completar a renda. Outra coisa que também é comum, segundo ela, é a mulher ser presa quando está levando droga para o companheiro que está preso.

Quando perguntadas se conhecem algum programa ou alternativa para sair do crime, 80,6% das entrevistadas disseram que não. "Ela é excluída por natureza, na essência. Não é que não quer [mudar], mas não há essa dimensão de escolha", explica Márcia. Apesar de ser menor do que a masculina, o aumento da população carcerária feminina nos últimos nove anos [de 2001 a 2010] foi maior: 286% contra um aumento de 186% dos homens presos. 
Mulheres em presídios de homens

As condições dos presídios, segundo as pesquisadoras, também não são apropriadas. "Com exceção da penitenciária de Tupi, nenhuma unidade prisional é feita para o gênero. São prédios antigos, que já foram prisões masculinas. [...] Muitas presas não recebem nem absorvente, se viram como podem."

Essa questão se deveu ao fato de que, quando passaram para a custódia do Estado, os presídios não foram adaptados para receber as mulheres. "Das três primeiras prisões femininas [a primeira construída em 1937], apenas uma foi feita especificamente para mulheres, as outras foram adaptações e isso é uma coisa que continuou", explica a antropóloga Bruna Angotti.

"A maioria das mulheres da década de 1940 eram presas por contravenção penal, que eram atos ligados à prostituição, como escândalo, desordem, alcoolismo e vadiagem, e crimes de lesão corporal (brigas). Esse perfil mudou bastante. Primeiro pela necessidade de manutenção do lar, o número de mulheres que chefiam famílias aumentou, e depois por causa do ingresso da mulher no mercado de trabalho". Segundo Bruna, houve uma mudança estrutural dos tipos de crimes e também nos presídios. "Até a década de 1980, os presídios femininos eram administrados por freiras, e a função do cárcere era de recuperação moral, de retorno do papel social da mulher. Depois da saúda das freiras, houve uma indiferenciação [por parte do cuidado do Estado] entre os presídios masculinos e os femininos."

Em 2010, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução conhecida como "Regras de Bangcoc", em que estipula normas básicas para o tratamento de mulheres presas. O conjunto de recomendações - entre elas atendimento médico para os filhos, direito a tratamento psicológico ou psiquiátrico e a proibição de isolamento e segregação como medida disciplinar para mulheres grávidas - é um reforço das já conhecidas "Regras Mínimas para o Tratamento de Presos", após se diagnosticar os problemas do encarceramento feminino no mundo.

Mães na cadeia

Segundo a pesquisa do Nemess, a média de filhos por presa de São Paulo é de quatro. A Defensoria Pública deu início, no começo deste ano, a um projeto chamado "Mães no Cárcere", em que mapeia a condição das mulheres gestantes e com filhos nas cadeias. Em cinco meses de trabalho, a Defensoria apurou que, das 1.627 presas da unidade de Franco da Rocha, 889 são mães e 141 estão gestantes (ou com indícios de gravidez). Ainda de acordo com o projeto, 80% dessas crianças estão sob a guarda de familiares.

Já segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), há atualmente, sob sua custódia, 119 gestantes, além de 142 crianças - em todo sistema penitenciário. Segundo a secretaria, desde fevereiro de 2011 foram inauguradas em três penitenciárias o chamado "espaço mãe", com "área para banho do bebê, trocador, lactário (local para preparo de bebidas lácteas e complementares aos lactantes), área para recreação e cursos para as mães."

Segundo uma lei federal de 2009, as penitenciárias devem oferecer de condições para que a mãe presa possa cuidar do bebê e amamentá-lo. A SAP diz que está "buscando parcerias e desenvolvendo metodologias de trabalho específicas para lidar com essa situação", como o projeto “Meu Bebê Minha Vida”, que "conscientiza as gestantes a respeito de valores, comportamentos e ações" por meio de palestras e filmes.

Sem advogado

Segundo a pesquisa realizada pelo Nemess, 49,3% das presidiárias não têm advogado. Já o número registrado em outro estudo, realizado pela Defensoria Pública entre outubro de 2010 e outubro de 2011, é maior. Segundo eles, 68% das 11.010 entrevistadas em 90 presídios e cadeias do estado (administradas pela SAP e pela Secretaria de Segurança Pública) declararam não ter advogado contrata

EIS QUE OS FILHOS SÃO A HERANÇA DO SENHOR ...... SALMOS 127/3


 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Candidatos com apoio de evangélicos são derrotados nas urnas

Os resultados colocam em questionamento se a indicação de pastores de fato interfere na decisão dos eleitores evangélicos.
por Leiliane Roberta Lopes


  • Candidatos com apoio de evangélicos são derrotados nas urnas Candidatos com apoio de evangélicos são derrotados nas urnas
    Não adiantou as inúmeras reuniões e eventos organizados por líderes religiosos para mostrar seus apoios aos candidatos a prefeitos nas principais cidades do país, o resultado do segundo turno colocou em xeque a força do evangélico no país, pois em quatro capitais que tiveram segundo turno os candidatos a prefeito apoiados por igrejas evangélicas perderam com uma quantidade significativa de votos.
    Em São Paulo, a maior cidade brasileira, o candidato eleito, Fernando Haddad (PT), não era bem visto pela grande maioria dos líderes evangélicos. Não só por ser o ex-ministro da Educação que tentou distribuir o chamado “kit gay” para crianças, mas por pertencer ao Partido dos Trabalhadores, que já mostrou possuir interesses que vão de encontro com as convicções religiosas.
    Grandes igrejas evangélicas da capital apoiaram o candidato do PSDB, José Serra, que foi vencido por quase um milhão de votos. Haddad teve 55,57% dos votos válidos, enquanto o tucano teve 44,43%. Quase dois milhões de paulistanos se abstiveram de votar.
    Na capital amazônica a candidata Vanessa Grazziontin (PCdoB) tinha apoio de dois dos maiores ministérios de Manaus: Igreja Assembleia de Deus e Ministério Internacional da Restauração. Todavia as tentativas de eleger a candidata comunista foram vencidas por Artur Neto (PSDB) que teve 65,95% dos votos dos eleitores da cidade. Grazziontin teve apenas 34,05% dos votos válidos.
    Em Curitiba a situação não foi diferente. O candidato Ratinho Junior (PSC) teve apoio massivo dos evangélicos, mas nas urnas o resultado foi outro, já que o filho do apresentador Ratinho teve apenas 39,35% dos votos válidos e seu concorrente, Gustavo Fruet (PDT), venceu com 60,65%.
    Em Salvador a Igreja Universal do Reino de Deus deu total apoio ao candidato Nelson Pelegrino (PT), chegando a indicar para seus fiéis que o número 13 do partido seria o “número de Jesus”. No final o candidato indicado pelo bispos da IURD perdeu por menos de 100 mil votos para ACM Neto (DEM). As apurações ficaram em 53,51% para ACM Neto e 46,49% para Pelegrino.

    SEDES UNÂNIMES ENTRE VOS ;NÃO AMBICIONEIS COISAS ALTAS ,MAS ACOMODAIVOS AS HUMILDES;NÃO SEJAIS SABIOS EM VOS MESMOS       ROMANOS   12/16

    sábado, 27 de outubro de 2012

    VASSOURAS FEITAS DE GARRAFAS PET POR PRESIDIARIOS E O NOVO PROJETO DE RESSOCIALIZAÇÃO

    Juiz desenvolve projeto de ressocialização de presos e preservação do meio ambiente em Guarabira
    Detentos - GbaUma ideia audaciosa e de grande importância social vêm sendo desenvolvida na Cidade de Guarabira pelo juiz da 1ª Vara da cidade, Bruno Azevedo. Trata-se da Fundação Passos à Liberdade que foi idealizada e criada em janeiro desse ano pelo magistrado. A Fundação, que tem como principais objetivos ressocializar os apenados, recuperar dependentes químicos e desenvolver projetos para a preservação do meio ambiente, tem abrangência para toda a Paraíba, mas por enquanto está funcionando apenas em Guarabira, no Brejo Paraibano.
    Pela Fundação, 88 apenados do presídio de Guarabira estão trabalhando em duas fábricas, uma para a produção de vassouras e outra para confecção de sacolas ecológicas (retornáveis). A associação também tem um canteiro de mudas de sombreiros e árvores frutíferas. “O nosso objetivo maior além da ressocialização dos presos é também preservar o meio ambiente”, explico o juiz.
    Bruno Azevedo afirmou que as vassouras são produzidas com garrafas pet e todos dos meses 16 mil garrafas dessas são retiradas do lixo. “Com essa ação nós estamos, além de ressocializando o apenado dando a nossa contribuição para a preservação do meio ambiente e evitando que essas garrafas fiquem nas ruas e obstruam as galerias pluviais, causando outro problema a exemplo das inundações”, comentou o juiz.
    Ele explicou que as cerca de 1,1 mil vassouras produzidas mensalmente e a sacolas são vendidas no comércio da região e o dinheiro arrecadado é empregado na manutenção da Associação e no pagamento de numa ajuda de custo aos próprios detentos. Além do mais a cada três dias trabalhados, os apenados têm um dia a menos na pena. O juiz explicou que existe a intenção do Governo do Estado em adquirir todos os produtos confeccionados pelos presos.
    De acordo com a magistrado um outro grande objetivo desse projeto é fazer com que o apenado aprenda um ofício e ao ganhar a liberdade sai com uma profissão definida e assim possa ser absolvido pela mercado de trabalho. O juiz faz questão de destacar que é apenas mais um voluntário e que a Associação é uma entidade jurídica e de direito privado. “Fiz questão de agir assim para tirar esse caráter pessoal para que quando eu deixar a comarca outro magistrado possa dar continuidade ao trabalho”, justificou Bruno Azevedo.
    .. E DA OBRA DAS SUAS MAOS O HOMEM RECEBERA RECOMPENSA   PROVERBIOS 12/14

    sexta-feira, 26 de outubro de 2012

    PRESIDIO DO AHU SERA CENARIO DE PEÇA DE TEATRO

    Memórias Torturadas: a Ditadura e o Cárcere no Paraná
    Peça teatral protagonizada em ala de detentos do Presídio do Ahú, narra a história verídica de quatro presos políticos detidos pela ditadura militar na chamada “Operação Marumby”. Iniciativa de ambientar, em espaço real e alternativo, recorte histórico de luta pela construção da liberdade e democracia no Brasil, a partir do Paraná.
     
    "Quando li, fiquei perplexa.
    Ildeu é meu avô.

    Falar sobre a ditadura e suas implicações na vida da minha familia nunca foi fácil. As burocracias com indenizações e outras coisas juridicas, junto com reportagens que anulam a existencia de ditadura no Paraná, e de notícias que mostram que os torturadores estão soltos, apenas abre a ferida que nunca se fechou. Há anos vejo meu pai e meus tios, se emocionarem com filmes, músicas, documentários que dizem respeito a essa época. Não era fácil para uma criança ver as exepressões de uma dor tão cronica sem entender porque. Hoje eu entendo essa dor, hoje essa dor faz parte de mim. Como diz no livro, meu avô ficou tres anos preso no Ahú, e meu pai, ainda pequeno, era o correio entre ele e o partidão. Meu pai conta das tardes que ia jogar bola no presidio, ou quando a policia revirava a casa assustando sua mãe,minha avó.. ou de mudarem de cidade inumeras vezes fugindo da polícia... meu tio, também Ildeu, escutou os gritos de meu avô na sala de tortura. São machucados que não se cicatrizarão apenas com justiça. A ditadura no Paraná existiu, e o assunto não deve ser evitado como vem sendo a anos!
    Hoje, deparamos com outras repreensões, com outras caixas e outras dores. É horrível estar sufocado, ter forças mas estar acorrentado.
    Em nome de toda família, elogio e a gradeço a iniciativa!

    E aviso - eu, minha mãe, meu pai, e meu tio estaremos para a estréia.
    Será um momento histórico, depois de tantos anos, meu tio e meu pai voltarem no lugar onde estiveram com frequencia quando pequenos, dessa vez para tomar uma dose de lágrima de fenix.

    Mais uma coisa, Curitiba é mesmo um ovo. Julio Manso, meu pai, deu aula no colégio Integral, para o ator Martin Esteche
    ."

    Fotos originais dos presos políticos na Penitenciária do Ahú

    Crédito: Narciso Pires | Acervo: Grupo Tortura Nunca Mais
    Duas primeiras imagens: Interior da Penitenciária do Ahú. Sentados - Ildeu Manso Vieira, Narciso Pires e Diogo Afonso Gimenes. Em pé - Osiris Boscardin Pinto, Mario Siqueira, Antonio Brito Lopes.

     

     

    Release II

    A poucos dias da estreia, depoimento emociona elenco de  “Memórias Torturadas – A Ditadura e o Cárcere no Paraná”
    Neta do personagem central da trama se emociona com o roteiro do espetáculo que será encenado no presídio do Ahú, no Festival de Curitiba
    “Quando li fiquei perplexa. Ildeu é meu avô”. Essas foram as palavras que iniciaram um e-mail recebido pela produção do espetáculo “Memórias Torturadas – A Ditadura e o Cárcere no Paraná”, enviado por Catarina Rielli Vieira, neta do personagem central da trama, Ildeu, a poucos dias da estreia.

    No texto, ela conta que falar sob re a ditadura e suas principais implicações na vida da família nunca foi fácil. “As burocracias com indenizações e outras coisas jurídicas, junto com reportagens que anulam a existência de ditadura no Paraná, e de notícias que mostram que os torturados estão soltos, apenas abre a ferida que nunca se fechou. Há anos vejo meu pai e meus tios se emocionarem com filmes, músicas, documentários que dizem respeito a essa época. Não era fácil para uma criança ver as expressões de uma dor tão crônica sem entender porque. Hoje eu entendo essa dor, hoje essa dor faz parte de mim”, ressalta.

    A peça, além de convidar o público pra uma imersão nas antigas dependências do Presídio do Ahú, traz à tona informações curiosas sobre a ditadura militar no Paraná. “A ditadura no Paraná existiu e o assunto não deve ser evitado como vem sendo há anos, ressalta Catarina, que garantiu presença na estréia do espetáculo: “E aviso: eu, minha mãe, meu pai e meu tio estaremos na estreia. Será um momento histórico, depois de tantos anos, meu tio e meu pai voltarem ao mesmo lugar onde estiveram com frequência quando pequenos, dessa vez para tomar uma dose de lágrima de fênix”, finaliza.

    Trama:

    A peça conta a história de um homem e seu filho menor de idade que repentinamente são presos no Ahú e passam a conviver com torturas corporais e psicológicas.

    Junto na minúscula cela, estão três outros personagens, ideólogos, que desenrolam conversas acaloradas, e muitas vezes fraternais, revelando informações sobre a luta pela democratização do país que deu início na década de 80 com as "Diretas Já". Estes diálogos trazem informações pouco conhecidas, como a secreta passagem de Che Guevara por Curitiba ou o maior esquema de guerrilha que se armava, no oeste paranaense.

    Os fatos históricos são revelados e intercalam-se com as histórias pessoais e a angústia do cárcere humano.  “É necessário compreender o valor da luta e do sangue vertido daqueles que deram suas vidas para que hoje tenhamos essa democracia. Entender o processo de democratização vai além de questões partidárias ou ideológicas, é saber sobre nossa identidade brasileira", aponta Hajar.

    Ele reforça que a peça é dedicada àqueles que foram presos e/ou perderam a vida pela luta no afã de um estado democrático de direito.

    O ineditismo do espetáculo está no tema sobre a ditadura militar no Paraná e o cenário. A montagem vem em boa hora, pois o Tribunal de Justiça irá transformar o local em Centro Judiciário a partir deste ano.

    Fonte:www.memoriastorturadas.com

    quarta-feira, 24 de outubro de 2012

    TREMEMBÉ EM SAO PAULO E N.HUNGRIA EM MINAS SERIA O DESTINO DE CONDENADOS DO MENSALÃO

    Condenados pelo STF chefes do Mensalão vão cumprir pena em presídio

    Publicado em 15.10.2012
    Condenados pelo STF chefes do Mensalão vão cumprir pena em presídio
    Cúpula do PT é condenada por corrupção no mensalão e especialistas ouvidos por ISTOÉ dizem quais condenados devem ir para a cadeiaDurante o julgamento do mensalão, na última semana, os ministros do STF condenaram o ex-ministro José Dirceu por corrupção ativa.
    A corte concluiu que Dirceu comandou de dentro do Palácio do Planalto um esquema de compra de apoio político no Congresso.
    O STF selou ainda o destino de outros dois réus do PT: José Genoino, ex-presidente do partido, e Delúbio Soares, ex-tesoureiro, também considerados culpados por corrupção.
    Nas próximas semanas, após encerrar a votação, os ministros passarão para a fase chamada de dosimetria, quando são estabelecidas as penas dos réus. Juristas esperam nova polêmica nessa parte do julgamento, pois a corte ainda não decidiu se um magistrado que votou pela absolvição poderá opinar sobre a punição do réu.
    De qualquer forma, já é possível fazer uma previsão sobre a pena que caberá a cada um dos pelo menos 25 condenados. Especialistas em direito penal e magistrados ouvidos por ISTOÉ estipulam que o ex-ministro José Dirceu e o ex-tesoureiro Delúbio Soares pegarão cinco anos de prisão em regime semiaberto. A pena, se confirmada, os obrigará a se apresentar todas as noites em uma penitenciária.
    Para se chegar a esse cálculo, foi levado em consideração o critério da aplicação de penas brandas para réus primários. Do contrário, a punição dos dois ficaria em pelo menos oito anos, o que determinaria o regime fechado. Mas, apesar dessa projeção, o regime fechado não pode ser totalmente descartado.
    Existe a possibilidade de os magistrados do Supremo levarem a punição ao teto da pena prevista para o crime de corrupção ativa, que é de 12 anos. Outra hipótese de majoração da pena é se Dirceu for condenado na próxima semana por formação de quadrilha.
    “Nada pode ser descartado, mas os ministros estão mais preocupados em condenar do que em estabelecer grandes penas. O semiaberto dá uma expedição de mandado de prisão, o que para a sociedade já é um símbolo de punição”, resume Romualdo Sanches Calvo, presidente da Academia Paulista de Direito Criminal.
    Por ser de São Paulo, a tendência é que Dirceu – condenado a regime semiaberto ou fechado – cumpra a sentença no Complexo Penitenciário de Tremembé, que recolhe Alexandre Nardoni, Elize Matsunaga e Pimenta Neves.
    O presídio do Vale do Paraíba, a 140 quilômetros de São Paulo, é a única instituição do Estado que cumpre os requisitos necessários para abrigar réus como os do mensalão. É lá que a Secretaria de Administração Penitenciária coloca presos envolvidos em crimes de grande repercussão, que poderiam ter a vida ameaçada se tivessem que conviver com detentos comuns.
    Quem também pode engrossar a lista dos detidos em Tremembé são os deputados João Paulo Cunha (PT-SP) e Valdemar Costa Neto (PR-SP). De acordo com o especialista em direito penal Tiago Ivo Odon, membro da comissão de juristas que analisam a reforma do Código Penal, os dois devem receber pena de pelo menos nove anos.
    Dos réus paulistas, o ex-presidente do PT José Genoino é o que tem mais chances de se livrar da penitenciária e cumprir pena alternativa, de pagamento de multa ou prestação de serviços à sociedade.
    Já a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG), poderá ser o destino de oito réus mineiros do mensalão condenados por crimes que somam mais de oito anos de pena. Entre eles está o publicitário Marcos Valério, que será condenado a pelo menos 12 anos de prisão, segundo penalistas. Lá, o preso mais célebre é Bruno Fernandes, ex-goleiro do Flamengo, acusado de assassinato. 

    PORQUE OS MAGISTRADOS NÃO SÃO TERROR PARA AS BOAS OBRAS , MAS PARA AS MÁS. QUERES TU ,POIS ,NÃO TEMER A POTESTADE? FAZE O BEM , E TERÁS LOUVOR DELA      ROMANO 13/3

    segunda-feira, 22 de outubro de 2012

    ANNA CAROLINA JATOBA EVANGELICA? O FUTURO MOSTRARA SUA SINCERIDADE

    ANNA CAROLINA JATOBA ENTREGA SUA VIDA PARA JESUS CRISTO


    Depois de três anos encarcerado em regime fechado de prisão, o casal Alexandre Nardoni, de 33 anos, e Anna Carolina Jatobá, de 29, mantém a esperança de ter a pena anulada na terça-feira. Os dois foram condenados por asfixiar e jogar pela janela Isabella Nardoni, de 5 anos, na noite de 29 de março de 2008. Depois de amanhã, três desembargadores vão se reunir na 4ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo para julgar o requerimento que pode resultar na anulação da pena de 31 anos imposta para ele e de 26 para ela. 


    Os desembargadores podem ainda decidir por uma redução da pena ou mesmo deixar tudo do jeito que está.
    Alexandre era pai de Isabella e Anna Carolina, madrasta. Segundo os advogados de defesa, os dois presidiários merecem um novo júri popular porque o primeiro teria uma série de erros técnicos. Um deles, apontado com o principal, refere-se à participação da mãe biológica de Isabella, Ana Carolina Oliveira, no julgamento. Como ela constituiu advogada, passou a ser parte interessada no processo e, por isso, estaria impedida de atuar no processo como testemunha. Apesar de não constar na documentação oficial, os advogados do casal argumentam que o depoimento emocionado da mãe e a sua presença na plateia foram decisivos para a condenação de Alexandre e Anna Carolina, uma vez que inexistem provas irrefutáveis contra os dois.
    Segundo o advogado Marcelo Raffaini, que defende os interesses dos Nardoni, os réus merecem ainda um novo júri porque os direitos de defesa, no primeiro julgamento, foram cerceados. “Até hoje não tivemos acesso a documentos e laudos de perícias feitas pelo Instituto Médico Legal (IML)”, reclama Raffaini. Quanto à participação da mãe de Isabella no primeiro julgamento, o advogado argumenta que uma pessoa não pode exercer funções tão antagônicas no processo, como parte interessada e testemunha.
    O julgamento do recurso não terá presença do emblemático promotor Francisco Cembranelli, que atraiu para si os holofotes do caso desde a abertura do inquérito ao julgamento que selou a condenação do casal. Desta vez, ele será substituído pela procuradora Sandra Jardim, que atua na segunda instância e tem postura mais discreta. A mãe de Isabella será representada pela advogada Cristina Christo Leite, a mesma que atuou no Tribunal do Júri. “Não acreditamos na anulação do primeiro julgamento nem mesmo na redução da pena por causa da falta de elementos. Mas essas hipóteses não estão descartadas”, pondera a advogada. Cristina Christo disse ainda que não vai se manifestar na terça-feira. Só vai assistir ao trabalho dos desembargadores.
    NO PRESÍDIO
    Alexandre e Anna Carolina estão presos em penitenciárias no município de Tremembé, a 140 quilômetros de São Paulo. Ambos estão adaptados à rotina no presídio e trabalham para reduzir a pena. Ele atua na lavanderia, enquanto a madrasta de Isabella conseguiu colocação na cozinha. Na cadeia, Anna Carolina virou evangélica e faz pregações nos momentos em que está em grupo. Ela tem recebido visitas esporádicas do pai, Alexandre Jatobá. Já o pai de Isabella recebe visitas de parentes e advogados com mais frequência.
    Na última, Antônio Nardoni, pai de Alexandre, levou roupas e livros. Alexandre e Anna Carolina recebem visitas mensais dos dois filhos pequenos, que já foram desligados de duas escolas por causa do estigma do sobrenome. A prisão do casal causou um racha na harmonia familiar que não foi solucionado até hoje. Motivo: sem dinheiro, a família Jatobá não vem ajudando a pagar as despesas com os advogados. Uma conta que foi motivo de discussão familiar aponta que os parentes da madrasta devem R$ 150 mil de honorários.
    ...E SE CONVERTESSEM A DEUS ,FAZENDO OBRAS DIGNAS DE ARREPENDIMENTO              ATOS 26/20

    sábado, 20 de outubro de 2012

    LAMENTAVEL !! URUGUAY PERDEU A CHANCE DE DAR OPORTUNIDADE PARA A VIDA

    Uruguai aprova aborto e estuda legalizar maconha e casamento gay
    19/10/2012:
     
    País é o terceiro da América Latina a legalizar a interrupção da gravidez e confirma sua vanguarda no respeito a leis do direito civil. Congresso vai analisar, ainda em 2012, a legalização da maconha e casamento gay.
     
    O Senado uruguaio aprovou nesta quarta-feira (17/10) a descriminalização do aborto para mulheres até a 12ª semana de gestação. Os parlamentares do país deverão analisar, ainda neste ano, projetos de lei que legalizam o cultivo e comercialização da maconha e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
     
    Com a aprovação da lei do aborto, o país é o terceiro da América Latina, ao lado de Cuba e Guiana, a legalizar a interrupção da gravidez. O país confirma, assim, sua tradição de vanguarda em relação aos direitos civis.
     
    "O Uruguai sempre foi conhecido como um país avançado em termos de organização política e tem um afinamento muito grande com os debates que se desenvolvem na Europa e que envolvem questões como casamento de pessoas do mesmo sexo e o aborto", afirmou George Galindo, professor de Direito Internacional da Universidade de Brasília (UnB).
     
    Christoph Wagner, do Instituto de Ciências Políticas de Mainz, na Alemanha, afirma que essas medidas liberais são fruto de uma democracia onde direitos como liberdade de expressão e de imprensa são garantidos. "O Uruguai é o país mais democrático da América Latina", frisou.
     
    Cerca de 30 mil mulheres morrem todos os anos no Uruguai devido a abortos irregulares
     
    Ele está convencido de que o país está pronto para essa mudança. "Mesmo sendo um país católico, há uma divisão clara entre Igreja e Estado e isso já tem quase 100 anos de tradição", frisou Wagner.
     
    O presidente uruguaio, José Mujica, afirmou que vai sancionar a lei. Em 2008, o então presidente Tabaré Vázquez vetou uma iniciativa similar aprovada pelo Congresso.
     
    Ainda em 2012 os parlamentares uruguaios vão discutir a regulamentação de duas leis consideradas polêmicas. Uma delas é em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Legalmente, apenas a união civil entre homossexuais é permitida no país desde 2007.
     
    Outro projeto de lei controverso diz respeito ao cultivo e comercialização da maconha. A legislação prevê, entretanto, que somente o Estado uruguaio poderá vender a droga. Se o projeto for aprovado, o país se tornará o primeiro no mundo a disponibilizar maconha diretamente aos seus cidadãos.
     
    Descriminalição do aborto
     
    De acordo com a lei aprovada nesta semana, a mulher pode interromper a gravidez até a 12ª semana. Mas, para isso, ela deve participar de um aconselhamento com um grupo de profissionais de saúde e passar por um período de reflexão de cinco dias antes de dar a resposta final.
     
    "Com esta lei nos juntamos aos países desenvolvidos que, em sua maioria, têm adotado critérios para a liberalização, reconhecendo o fracasso das normas penais que tentam evitar o aborto", afirmou o senador governista Luis Gallo, em seu discurso durante a sessão no Parlamento.
     
    Cerca de 30 mil mulheres morrem todos os anos no Uruguai por causa de abortos realizados ilegalmente. De acordo com organizações não-governamentais, esses números poder ser ainda maiores, pois muitos casos não são registrado 
    Resistência de todos os lados
     
    A lei encontrou resistência tanto de grupos contrários como favoráveis ao aborto. As organizações pró-aborto criticam a imposição de condições para a interrupção da gravidez. "Não é reconhecido o direito da mulher de decidir livremente sobre sua vida e maternidade", afirmou a Coordenação pelo Aborto Legal em comunicado.


    VIDA TE PEDIU,E LHA DESTE,MESMO LONGURA DE DIAS PARA SEMPRE E ETERNAMENTE                  SALMOS 21/4

    sexta-feira, 19 de outubro de 2012

    ESCÂNER SUBSTITUIRA A HUMILHANTE REVISTA INTIMA EM PRESIDIOS

    Escâner reduz constrangimento

    Aparelho que gerou muita polêmica em vários aeroportos é apontado como solução possível para revista íntima em presídios

    Escâner reduz constrangimento
    Fotos: Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (SEAP-RJ)
    Com os corpos nus e as mãos na cabeça, elas agacham e levantam em cima de um espelho para provarem que não carregam nada no interior do corpo. Três vezes de frente, mais três de costas. Deitam-se em macas e, com as pernas abertas, forçam a vagina e o ânus como no trabalho de parto. Ao lado, outro corpo, completamente desconhecido, vive a mesma situação. Se, por ventura, há algo familiar, costumam ser os olhos, já nem tão assustados, dos filhos, que se habituam ao ritual de constrangimento. Por fim, sentam-se, ainda nuas, em um banquinho, aparelho capaz de detectar a presença de objetos escondidos nas partes íntimas, onde outras dezenas também sentaram, sem qualquer tipo de assepsia. A revista íntima, por lei, só pode ser aplicada a maiores de 12 anos, mas, na prática, crianças também são revistadas. As fraldas não entram sem antes serem apalpadas.

    Essa realidade faz parte da vida das mulheres que, durante os fins de semana, aguardam horas para visitar filhos, maridos, pais e irmãos detidos na Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria, em Nova Contagem, onde hoje estão cerca de dois mil presos. Os visitantes também passam por outros exames, não físicos, mas mecânicos, que vão além do banquinho. Existem, na penitenciária, dois portais, detectores de metal capazes de indicar com precisão em que altura o objeto encontra-se no corpo, e raquetes, detectores manuais em forma de bastão. Ainda assim, não há qualquer garantia de que materiais ilegais entrem despercebidos.

    Uma alternativa a todo este processo, menos invasiva e mais segura, seria o uso da tecnologia conhecida como escâner corporal ou, em inglês, body scanner.  O aparelho é capaz de detectar uma vasta gama de objetos escondidos no corpo, desde armas e celulares até pequenas quantidades de substâncias ilícitas, como drogas e explosivos. As imagens são tão detalhistas que, muitas vezes, os ossos da canela podem ser vistos, por estarem mais próximos à pele. Outra vantagem é que o tempo gasto neste procedimento não ultrapassa seis segundos: três para escanear a pessoa de frente e outros três para escaneá-la de costas. Isso significa que, a cada minuto, cerca de 10 pessoas seriam vistoriadas, enquanto a revista íntima gasta, em média, 15 minutos por pessoa.

    Caso fosse implantado na maior penitenciária em área construída de Minas Gerais, o escâner corporal mudaria a rotina dos cerca de 500 visitantes que vão ao complexo todos os finais de semana. Eles não teriam mais que esperar 3 horas na fila debaixo de chuva ou sol. Tampouco teriam que passar pelos constrangimentos da revista íntima, que o próprio Diretor de Segurança da Nelson Hungria, Magno Dias, reconhece ser “pesada”. “Mas tem que ser assim. É uma penitenciária de segurança máxima e os aparelhos que temos hoje não detectam tudo”, justifica.

    No início de 2009, essa transformação parecia algo possível de se concretizar quando o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) anunciou a importação de seis máquinas para serem distribuídas e instaladas em alguns estados brasileiros, incluindo Minas Gerais. A previsão era de que, até março do ano passado, elas já estivessem sendo usadas nos presídios. Porém, mais de um ano depois, o paradeiro dos equipamentos é desconhecido. No momento, existe um único escâner em funcionamento no Conjunto Penitenciário de Gericinó, no Rio de Janeiro, devido a uma iniciativa do governo estadual, que realizou, por conta própria, a compra da tecnologia.
                  
    Aplicações do escâner           

    Desenvolvido há 16 anos pelo físico e pesquisador americano Steve W. Smith, o escâner corporal opera “varrendo” o corpo da pessoa com um feixe de raios X e, a partir disso, consegue identificar, através das roupas e nas cavidades corporais, objetos que muitas vezes não são detectados pelos equipamentos já existentes. “Devido ao tipo de raios X emitidos, a maior parte da radiação, ao atingir o corpo, reflete-se e volta na mesma direção em que veio, sendo armazenada em um grande detector de raios X. A informação gravada pelos detectores é transformada em imagem por um sistema de computação”, explica Steve.

    Quanto aos níveis de radioatividade, o pesquisador afirma que os valores são ínfimos e que, portanto, não oferecem riscos à saúde. “A quantidade usada por vez é de somente 5 microRem [unidade de medida da radiação]. Para se ter uma ideia, passageiros de avião recebem cerca de 500 a cada hora de vôo e, nos raios X médicos, o paciente recebe de 10.000 a 100.000”, esclarece. Por isso o uso do aparelho não apresenta restrições a gestantes, crianças e idosos.  

    No entanto, este tipo de equipamento só pode ser importado e utilizado depois de passar por avaliação e ser liberado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). A Coordenadora Geral de Instalações Médicas e Industriais da instituição, Maria Helena Marechal, explica que o uso do escâner gera polêmicas porque, de acordo com o princípio de radioproteção, a radiação só deve ser empregada para benefício da população, como nas aplicações médicas. Neste caso, o objetivo seria melhorar a segurança. Contudo, a coordenadora garante que “se o escâner for usado de forma correta e estiver em perfeitas condições de funcionamento, ele não apresenta nenhum risco para quem passar por este controle”. 

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    Imagem de mulher com drogas escondidas na vagina

    Em contrapartida, no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, os visitantes que conseguem sair “ilesos” dos exames físicos e mecânicos, mas, ainda assim, despertam suspeitas de que estejam portando algo ilegal, são convidados a fazer um raio X médico. Este exame emite, pelo menos, 20 mil vezes mais radiação que o escâner corporal. Com o uso do equipamento, pelo menos duas tentativas de burlar o sistema são interceptadas por semana, segundo o Diretor de Segurança. São comuns os casos de visitantes que engolem objetos com a intenção de, durante a visita, tomarem laxante ou introduzem celulares, drogas e até mesmo fones de ouvido nas cavidades corporais. Magno Dias deixa claro, entretanto, que o exame não é obrigatório, mas, caso recuse, a pessoa terá seu cadastro para visitas cancelado.

    Apesar de o escâner corporal ser apontado como solução para este e outros problemas, a advogada e membro do Grupo de Amigos e Familiares de Pessoas em Privação de Liberdade (GAFPPL), Fernanda Vieira, destaca que o aparelho deve ser visto com ressalvas. “Você passa pelo escâner e vamos imaginar que eles entendem que tem alguma coisa errada com você, como vão te abordar?”. A advogada alerta para a necessidade de um maior preparo e melhor remuneração dos agentes, além de uma mudança na maneira como eles lidam com detentos e familiares.

    Controvérsias institucionais

    Quanto à possibilidade da instalação de escâneres na Nelson Hungria ou em outras penitenciárias mineiras, o futuro é incerto. Procurado pela reportagem, o Departamento Penitenciário Nacional não se manifestou sobre a importação dos aparelhos que foi anunciada em 2009. Segundo Maria Helena Marechal, uma das coordenadoras da CNEN, nenhum outro equipamento, além do utilizado no Rio de Janeiro, passou pela supervisão do órgão. “Até o momento foi autorizado pela CNEN a importação desse scanner para o presídio de Gericinó. Não tenho nenhuma informação de que algum equipamento tenha sido destinado ao Estado de Minas Gerais”, afirma. Já a Secretaria de Estado de Defesa Social (SEDS), por meio de sua assessoria de comunicação, explicou que o processo de importação dos escâneres pelo Depen não chegou a ser concluído e que, por isso, o Governo do Estado não dispõe do aparelho.

    A compra que foi anunciada pelo Depen totaliza um custo de mais de R$3,8 milhões. Em entrevista concedida ao Portal Agência Brasil, em janeiro de 2009, o diretor do Depen, Airton Michels afirmou que a aquisição poderia significar uma economia ao sistema prisional brasileiro. “Se levarmos em consideração a avaliação empírica que temos de que 20% das presas por tráfico de drogas foram flagradas durante a revista íntima e que esse equipamento inibirá novas tentativas, o custo dos aparelhos rapidamente estará pago”, disse.

    Em contrapartida, os entraves e as dificuldades para a importação e instalação dos escâneres não existem quando se trata de aeroportos. Para reforçar a segurança durante a Copa do Mundo de 2014, o governo americano doou à Polícia Federal Brasileira quatro aparelhos que foram instalados, em maio deste ano, nos aeroportos de Guararapes (PE), Guarulhos (SP), Galeão (RJ) e Manaus (AM).

    Pastor Hugo passando pelo detector de metais

     

    quinta-feira, 18 de outubro de 2012

    RESSOCIALIZAÇÃO:IDOSOS PRESOS TAMBEM PRECISSAM DE NOSSA AJUDA.

    Sejap promove ação para elevar autoestima de detentos da terceira idade



    Para melhorar a autoestima dos detentos, de modo especial os da terceira idade, o setor psicossocial da Secretaria de Estado de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap) realizou, nesta terça-feira , diversas atividades dinamizadas para os apenados desta faixa etária. A iniciativa visa humanizar o cotidiano das pessoas encarceradas bem como resgatar seus valores, que são muitas vezes esquecidos.
    Durante o dia, uma equipe de assistentes sociais interagiu com os presos por meio de atividades lúdicas, motivacionais e que estimulam suas potencialidades. As dinâmicas também visaram à promoção da integração social dos encarcerados.
    A ação ocorre de dois em dois meses e consiste em disponibilizar apoio psicológico as pessoas idosas encarceradas. O local é sempre o mesmo, a Casa de Oração, localizada no interior da Cadet I. “O objetivo é a valorização dos encarcerados que atingiram a terceira idade. Temos que ter um olhar diferenciado a este grupo, tão merecedor de afeto, porém, abandonado muitas vezes por sociedade e familiares”, esclareceu Cristina Régia, assistente social da Casa de Detenção 1 (Cadet 1), localizada no Complexo Penitenciário de Pedrinhas.
    Por meio das ações dinamizadas, foi possível identificar, por exemplo, que os idosos presos são detentores de muitos valores e capacidade criativa, dignos de serem reconhecidos. “Esses valores estão sendo constantemente potencializados e incentivados pelo corpo psicopedagógico”, reforçou Samila Rafaella Teixeira Cardoso, psicóloga do presídio São Luís.
    A coordenação do evento informou que a sistemática pedagógica utilizada pela assistência social da casa consistiu em recuperar a motivação dos apenados na terceira idade. Considerada uma etapa difícil da vida, pelas causas biológicas naturais, inclusive, se tornam ainda mais desafiadoras, por se tratarem de pessoas que se encontram encarceradas e em algumas das vezes, desamparadas por filhos, conjugues e pessoas que pertenciam ao seu convívio antes da reclusão.

    Reinserção social
    A atividade contou com a presença de dezenas de encarcerados idosos e, ao longo do dia, apenados mais jovens também se sentiram identificados com o projeto e pediram para participar. A equipe pedagógica incentivou a interação dos demais presos de faixas etárias diferentes, pois, a atividade objetivou também de modo geral a reinserção social de pessoas encarceradas, preparando-as para o novo convívio em sociedade pós-pena. Os integrantes do Coral do Complexo Penitenciário também participaram do momento de interação.
    Para a assistente pedagógica, o idoso, mesmo encontrando-se em situação de cárcere, precisa se sentir com vitalidade e a equipe psicopedagógica do Complexo tem feito tudo para que isso aconteça por meio das ações como a realizada nesta terça , das quais, de acordo com Cristina Régia, todos têm muita satisfação em participar. “Esse é um compromisso que temos com nossa comunidade de sentenciados idosos”, destacou.
    Detentos participam de atividades na Cadet 1, em Pedrinhas Foto Montelles
    O encontro foi mais uma ação da Sejap no sentido de valorizar a pessoa encarcerada, com vasta programação voltada para temas que tratam de envelhecimento bem sucedido, auto-estima e qualidade de vida. Para os idosos da casa, o encontro foi muito proveitoso. “Eles estão sempre se movimentando, em alguma atividade cultural e enaltecedora de suas habilidades”, esclareceu Cristina Régia.

    "Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e vigorosos," (Salmos 92 : 14)

    quarta-feira, 17 de outubro de 2012

    PRESOS FAMOSOS QUE ESCREVERAM OBRAS LITERARIAS DENTRO DO PRESIDIO

    A criatividade da prisão e os livros de autores presos

    O processo criativo e a tão almejada inspiração dependem de duas coisas básicas, tempo e falta do que fazer. Foi se aproveitando disso, que alguns presidiários ilustres se tornaram grandes nomes da literatura, escrevendo suas obras atrás das grades, enquanto cumpriam penas.

    Malory
     A  lista de autores nessas condições é grande, mas começaremos com Thomas Malory, o romancista inglês, ficou mundialmente famoso pelo livro Le Morte d'Arthur (A morte de Artur), um dos mais famosos romances sobre as histórias do rei Artur e os Cavaleiros da Távora Redonda. A obra foi escrita em 1469, quando cumpria pena de prisão em Londres, e publicada em 1485.

              Marco Pólo          
    Malory não foi o primeiro a se utilizar do ócio criativo proporcionado pela prisão, o explorador Marco Pólo, em 1298, se tornou prisioneiro durante um ano, logo após retornar da China e comandar uma esquadra de guerra entre Veneza e Gênova.

    No período em que esteve encarcerado ditou ao companheiro de cela de nome Rusticiano, os capítulos da obra “As Viagens de Marco Pólo”.

    CervantesMiguel
    Miguel de Cervantes é um dos mais ilustres dessa relação, preso em 1597 em Servilha devido a dívidas, o escritor deu início ao clássico “Dom Quixote”, durante os três meses em que esteve encarcerado. Futuramente ele se tornou prisioneiro novamente, dessa vez, dos piratas mouros, com quem viveu por cinco anos.

    Voltaire
    O filósofo Voltaire deu início ao poema épico “Henríade”, entre os anos de 1717 e 1718, quando passou onze meses preso na bastilha , por escrever poemas contra o regime de governo da época.

    John Cleland
    John Cleland estava preso devido a dívidas, em 1750, quando recebeu uma proposta irrecusável de umeditor que se comprometia a pagar todos os débito e tirá-lo da prisão, se escrevesse uma novela pornográfica, nesse momento nasceu o clássico “Fanny Hill – Memórias de Uma Mulher de Prazer”.

           Oscar Wilde       
    Em 1895 o escritor Oscar Wilde passou por três julgamentos e em maio, foi condenado a dois meses de trabalhos forçados sob a acusação de “cometer atos imorais com diversos rapazes”. No livro “De Profundis”, Wilde descreveu as cruéis condições da prisão  e teceu uma longa denúncia contra um rapaz chamado de Bosie, acusando-o de provocar sua ruína. Bosie era um de seus amantes.

               Graciliano Ramos            
    O alagoano Graciliano Ramos ficou preso por nove meses, entre 1936 e 1937, sob acusações políticas.  O escritor estava preso quando foi publicado o seu romance “Angústia”.

    A experiência na prisão, entretanto, rendeu um de seus mais famosos romances: “Memórias do Cárcere”, relatando sua experiência na prisão. A obra literária foi publicada após a sua morte, em 1953.

              Jean Genet          
    A história de Jean Genet (1910) é bastante triste, abandonado pela mãe na infância entrou cedo ao mundo dos crimes, indo parar em um reformatório aos 10 anos de idade. Fugiu logo em seguida e mudou de nome, continuou na vida bandida atuando como garoto de programa e ladrão.  Preso novamente foi parar em uma prisão, onde passou treze anos de sua vida, período em que iniciou sua carreira literária. Publicou em 1940 o romance “Nossa Senhora das Flores”.

               Adolf Hitler       
    Antes de se tornar o maior tirano da história, Adolf Hitler esteve preso durante cinco anos, na prisão de Landsberg. Sua prisão ocorreu em 1923 e durante o confinamento escreveu o livro “Mein Kampf” (Minha Luta), obra considerada como a bíblia do Nazismo.

    Dostoievski
    Por volta de 1838 Aos 17 anos Dostoievski teve uma forte crise de epilepsia e abandou a vida militar para se dedicar à literatura, nesse mesmo período se envolveu em conspirações revolucionárias, indo parar na prisão, onde foi condenado à morte, a pena acabou sendo comutada.

    Em 1960, o autor de “Crime e Castigo”, “O Idiota”, “Memórias do Subsolo”, entre outros. Passou a ser considerado como "escritor universal", depois dos anos 1860.


    Quem me dera agora, que as minhas palavras fossem escritas! Quem me dera, fossem gravadas num livro!JÓ 19-23

    domingo, 14 de outubro de 2012

    MENORES INFRATORES:TESTEMUNHOS DE RECUPERAÇÃO

    ISE conduz menores infratores para o sonho e a realização

    Educação, lazer e cultura são as apostas do Instituto Socioeducativo para ressocializar menores infratores (Foto: Angela Peres/Secom)
    Educação, lazer e cultura são as apostas do Instituto Socioeducativo para ressocializar menores infratores


    De menor infrator a estudante universitário e servidor público. Nesta reportagem, os leitores vão conhecer a história da vida de adolescentes que conheceram o mundo das drogas e da criminalidade e que tiveram boa parte da juventude marcada por tragédias pessoais e sociais. E mais: estiveram privados da liberdade em uma época da vida que era para ser marcada por sonhos e realizações.
    “O mais importante é reconhecer o erro e centrar em um foco, porque aqui fora as portas para o errado continuam abertas. E a mudança depende de cada um”, Tiago (Foto: Angela Peres/Secom)
    “O mais importante é reconhecer o erro e centrar em um foco, porque aqui fora as portas para o errado continuam abertas. E a mudança depende de cada um” - Tiago (Foto: Angela Peres/Secom)
    Tiago Cruz de Souza, 21, é estudante universitário e está em harmonia com família, além de fazer vários planos para o futuro. Mas nem sempre foi assim. Ele conta que, mesmo tendo uma estrutura familiar positiva, começou a usar drogas por ter se aproximado de pessoas erradas. Sua primeira internação foi durante um passeio em João Pessoa (PB) por ter sido pego com entorpecente. Depois disso voltou para Rio Branco e não demorou muito para que mais uma vez voltasse a cumprir medidas socioeducativas.
    “Tinha uma visão completamente distorcida do que era bom para minha vida. Quando fui para o Aquiry [Centro Socioeducativo], tive um choque de realidade. E embora tivesse toda a estrutura, ainda não tinha na minha mente ideia de seguir novos caminhos”, declarou. Tiago continua a conversa com a nossa equipe de reportagem dizendo que só depois de três meses começou a pensar diferente e buscou na educação forças para mudar de vida. “As pessoas que trabalham nos centros são espetaculares, me mostraram que eu tinha capacidade de contornar uma situação e que a educação é o melhor caminho.”
    Antes de ser internado, o adolescente estava cursando o 1º ano do ensino médio e deu sequencia aos estudos no Centro Socioeducativo. Todos os adolescentes que cumprem medidas socioeducativas devem frequentar as aulas. A atividade faz parte do conjunto de ações pedagógicas que são oferecidas aos menores e servem de parâmetro para analisar o avanço e resposta às medidas.
    “O mais importante é reconhecer o erro e centrar em um foco, porque aqui fora as portas para o errado continuam abertas. E a mudança depende de cada um”, encerra Tiago.
    “Meu maior conflito era comigo mesmo. Precisava me sentir pronto para deixar as drogas. E, mesmo que voltasse para o mesmo buraco, eu estava com uma visão diferente, com outro foco, e isso faz toda a diferença.” - Gilsicley (Foto: Angela Peres/Secom)
    “Meu maior conflito era comigo mesmo. Precisava me sentir pronto para deixar as drogas. E, mesmo que voltasse para o mesmo buraco, eu estava com uma visão diferente, com outro foco, e isso faz toda a diferença.” - Gilsicley (Foto: Angela Peres/Secom)
    Outra história que merece ser detalhada é a do jovem Gilsicley Ferreira Monteiro. Ele teve uma infância marcada pela violência doméstica - morava com os pais e mais seis irmãos na periferia de Porto Velho (RO). Cansada de sofrer, a mãe pôs o marido para fora de casa. Desempregada, ela teve que contar a ajuda dos filhos para sobreviver. “Eu procurei ajuda de todas as formas. Pedia comida na casa das pessoas, capinava, vigiava carros. Só que depois de trabalhar um dia inteiro as pessoas não me viam como alguém que precisava levar comida para casa, e sim como uma criança que queria um pirulito, e davam duas moedas.” A luta pela sobrevivência continuava, e num espaço curto de tempo o garoto começou a fazer pequenos serviços para traficantes.
    E para “fugir da realidade”, Gilsicley começou a usar drogas. “Queria aliviar a mente, mas os problemas logo voltavam. Foi aí que comecei a usar muita droga, e os serviços que fazia para os traficantes já não cobriam os gastos. Começava aí a traficar”, disse ele. Os próximos anos foram marcados por muito sofrimento e pela criminalidade. Com apenas 11 anos ele foi encaminhado à delegacia. A primeira internação aconteceu por conta de um assalto quando ele estava com 12 anos de idade. Por outras cinco vezes Gilsicley voltou a cumprir medidas socioeducativas. Em novembro de 2007 fugiu e veio morar em Rio Branco.
    A vida dele aqui não foi diferente. Ao cometer mais um ato criminoso em razão do consumo excessivo de drogas, novamente teve a liberdade privada. “Minha maior dificuldade era ter confiança nas pessoas. A sociedade já tinha me virado as costas muitas vezes. E eu pensava que não tinha nada a perder. Em todas as minhas internações a ideia era pagar o que devia, sair e continuar na mesma vida de crimes. Triste é saber que a gente volta para o mesmo buraco”, recorda. Ao praticar novo ato, o menor foi baleado e mais uma vez voltou a ficar internado, só que dessa vez o fato de ter sobrevivido o fez refletir sobre a vida.
    A história de Gilsicley começou a mudar quando ele foi transferido para o Centro Socioeducativo Aquiry. “Eles perceberam que precisava de ajuda. A equipe olhou pra mim não como um menor infrator, e buscou saber os motivos, as razões pelas quais eu fui parar naquele lugar. Frases como ‘você pode’, ‘você tem valor, pode construir um caminho diferente’ mudaram a minha vida. Disseram-me que só eu poderia dizer não àquela vida que eu tinha”. Aos 16 anos ele decidiu que iria mudar. “Meu maior conflito era comigo mesmo. Precisava me sentir pronto para deixar as drogas. E, mesmo que voltasse para o mesmo buraco, eu estava com uma visão diferente, com outro foco, e isso faz toda a diferença.”
    Hoje, Gilsicley Ferreira Monteiro é servidor do Instituto Socioeducativo, onde ministra palestras para os menores que estão internados e desenvolve o projeto Prevenir é o Caminho. Buscou formação profissional e se tornou uma referência para outros jovens que passam por situações parecidas com a sua. A direção do ISE trouxe sua família para Rio Branco e recebe toda a atenção do jovem. “Os jovens precisam de referência. O sistema ajuda, mas os adolescentes precisam querer mudar. Hoje tenho muitos sonhos, quero fazer duas faculdades e ser professor. Eu sei que hoje muitos adolescentes não entendem o que falo durante as palestras. Mas no dia que a chama da mudança for acesa dentro deles, eles vão entender”, concluiu.
    Medidas socioeducativas são aplicadas de forma gradativa
    Adolescentes recebem orientações da equipe multidisciplinar do ISE (Foto: Angela Peres/Secom)
    Adolescentes recebem orientações da equipe multidisciplinar do ISE (Foto: Angela Peres/Secom)
    A equipe a que o jovem se refere é composta por socioeducadores, psicólogos, técnicos e assistente social. Esses profissionais são responsáveis pelo trabalho com os menores infratores. O cumprimento das medidas socioeducativas segue uma dinâmica em Rio Branco. Inicialmente os menores são encaminhados à Unidade de Internação Provisória, à espera do julgamento. Quando a sentença determina a privação de liberdade, eles são encaminhados ao Centro Socioeducativo Aquiry.
    Primeira unidade do país a ser construída dentro dos padrões exigidos pelo Sistema Nacional de Socioeducação (Sinase), o CSE Aquiry prioriza o investimento na educação e o desenvolvimento pessoal de cada adolescente na construção de um novo indivíduo. Ao chegar, eles ficam na “casa amarela”, local reservado para quem apresenta maior resistência em se adaptar às novas regras. Ao alcançar um novo patamar nas relações interpessoais, mudam para a “casa verde”, que representa o processo intermediário, e, por fim, alcançam a “casa azul”, última etapa antes de serem encaminhados ao Centro Socioeducativo Acre, unidade que abriga os jovens em processo de finalização da pena, quando estão prestes a voltar ao convívio da família e da sociedade.

    A educação faz parte do conjunto de ações pedagógicas que são oferecidas aos menores e servem de parâmetro para analisar o avanço e resposta às medidas socioeducativas (Foto: Angela Peres/Secom)
    A educação faz parte do conjunto de ações pedagógicas que são oferecidas aos menores e servem de parâmetro para analisar o avanço e resposta às medidas socioeducativas (Foto: Angela Peres/Secom)
    “O CSE Acre funciona como porta de saída para os menores de volta à sociedade. Então temos a missão de incutir neles que existem outras possibilidades, que a vida tem mais a oferecer que o mundo das drogas e dos crimes”, destaca o diretor do CSE Acre, Walderlan Lima. O bom comportamento e a resposta às medidas socioeducativas são a chave para abrir a porta do CSE Acre. Um local almejado pelos jovens pelas oportunidades que são oferecidas. Além das aulas, os jovens têm acesso à biblioteca e participam de cursos internos e externos. Além disso, têm aula de informática e natação e agora estão desenvolvendo uma escolinha de futebol.
    Graças a uma parceria com a Federação da Indústria do Estado do Acre (Fieac), estão sendo disponibilizadas 216 vagas em cursos profissionalizantes destinadas aos menores em medida socioeducativa de internação. “São direitos agregados. Eles começam a ter a sensação de pertencer ao meio. Não podemos esquecer que são adolescentes”, acrescentou o diretor.
    João, 17, está internado há dez meses no CSE Acre. Ele já passou pelas outras etapas e enfatiza a importância de ter novas oportunidades. “As alternativas nos mostram que é possível enxergar a vida de outra maneira. Estar internado é uma lição de vida”, comenta o menor.
    Outra atividade realizada nos centros socioeducativos é o artesanato. Dentro dos próprios alojamentos eles trabalham na confecção de enfeites e de pulseiras, além de atividades de lazer, esporte e cultura.
    Bons exemplos precisam ser multiplicados
    13 Centros Socioeducativos foram reformados. A reestruturação contou ainda com a melhoria do abastecimento de água e da manutenção em todos os espaços da capital e do interior, incluindo troca de lâmpada, iluminação externa, manutenção da frota de veículos, troca de colchões, kits de higiene (Foto: Angela Peres/Secom)
    Centros Socioeducativos foram reformados. A reestruturação contou ainda com a melhoria do abastecimento de água e da manutenção em todos os espaços da capital e do interior, incluindo troca de lâmpada, iluminação externa, manutenção da frota de veículos, troca de colchões, kits de higiene (Foto: Angela Peres/Secom)
    Sabendo da necessidade de multiplicar o número de bons exemplos. De incutir nos jovens que passam pelo Instituto Socioeducativo a importância de acreditar que é possível seguir um novo caminho, o governo do Estado tem investido substancialmente para garantir que os preceitos da Constituição Federal e os dispostos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) sejam atendidos de forma satisfatória.
    E dentro dessa perspectiva investiu na reestruturação física dos Centros de Reabilitação, na melhoria do abastecimento de água e da manutenção em todos os espaços da capital e do interior, incluindo troca de lâmpada, iluminação externa, manutenção da frota de veículos, troca de colchões, kits de higiene e outros.
    Umas das maiores queixas dos menores é a falta da estrutura quando eles recebem a notícia de que irão voltar para casa. E para ajudar a suprir essa demanda, o governo está implantando um núcleo de atendimento e acompanhamento dos familiares e dos menores. A proposta, de acordo com o diretor do meio fechado, Leonardo Carvalho, é identificar os problemas e buscar alternativas para ajudar essas famílias, encaminhando-as para programas de transferência de renda, quando for necessário, ou oferecendo outro tipo de apoio.
    “As equipes do ISE estão realizando um levantamento junto às famílias para identificar as demandas. Nossa meta é proporcionar mais estrutura para o menor ter melhores condições na volta para casa”, reforçou Leonardo Carvalho.
    O valor da liberdade
     “Apesar do pouco tempo que estou aqui já posso dizer que, embora as condições aqui dentro não sejam ruins, o melhor é estar lá do lado de fora.” - G.F.F (Foto: Angela Peres/Secom)
    “Apesar do pouco tempo que estou aqui já posso dizer que, embora as condições aqui dentro não sejam ruins, o melhor é estar lá do lado de fora.” -Joana (Foto: Angela Peres/Secom)
    “A liberdade não tem preço.” A frase da adolescenteValéria, 16, que está há dois meses na Unidade Mocinha Magalhães, traduz o sentimento das menores que estão internadas cumprindo medidas socioeducativas. A menor foi atraída pela possibilidade de ganhar dinheiro com o tráfico de drogas. “Apesar do pouco tempo que estou aqui já posso dizer que, embora as condições aqui dentro não sejam ruins, o melhor é estar lá do lado de fora”, disse.
    Já a adolescente Joana, 14, tem um motivo muito especial para mudar de comportamento e traçar um novo caminho em sua vida. Ela tem uma filha de um ano e quatro meses, que está morando com a avó desde que a menor foi encaminhada à Unidade. “Aprendi que não adianta a revolta. Cometi um erro, e continuar fazendo coisas erradas só vai me prejudicar. Quando sair daqui quero ser alguém na vida e cuidar da minha filha”, afirma.
    Adolescente é um exemplo de como o trabalho multidisciplinar dentro das unidades pode ajudar no processo de transformação dos adolescentes (Foto: Angela Peres/Secom)
    Adolescente é um exemplo de como o trabalho multidisciplinar dentro das unidades pode ajudar no processo de transformação dos adolescentes (Foto: Angela Peres/Secom)
    De acordo com a diretora Ronimar Ferreira de Matos, Joana é um exemplo de como o trabalho multidisciplinar dentro das unidades pode ajudar no processo de transformação dos adolescentes. A jovem quando foi internada apresentava claros sinais de rebeldia e revolta. “A mudança de comportamento é essencial. Temos consciência da importância da educação para resgatá-las. Mostrar que existe a possibilidade de seguir novos caminhos.”
    Para exemplificar o baixo índice de reincidência da Unidade, a diretora diz que, em dezembro de 2011, 35 adolescentes estavam internadas; em abril deste ano 16 estão sendo assistidas. Das 19 que saíram, quatro voltaram, sendo que apenas uma regressou por ter cometido novo delito. As outras não cumpriram as medidas impostas pelo Judiciário, como a realização de trabalhos comunitários, e regrediram de pena, sendo obrigadas a retomar para o regime fechado.
    A valorização profissional
    Henrique Corinto, diretor-presidente do ISE, destaca a importância dos servidores para sucesso das medidas socioeducativas (Foto: Angela Peres/Secom)
    Henrique Corinto, diretor-presidente do ISE, destaca a importância dos servidores para sucesso das medidas socioeducativas (Foto: Angela Peres/Secom)
    Wanderlan Lima, diretor do CSE Acre, é servidor de carreira e enfatiza a valorização profissional (Foto: Angela Peres/Secom)
    Wanderlan Lima, diretor do CSE Acre, é servidor de carreira e enfatiza a valorização profissional (Foto: Angela Peres/Secom)
    O diretor-presidente do ISE, Henrique Corinto, pontuou a importância do reconhecimento ao trabalho dos servidores para que o Instituto alcançasse os avanços necessários para uma boa gestão. E para isso foram realizadas reuniões de alinhamento com o sindicato dos agentes socioeducativos. Entre as conquistas estão o pagamento do Prêmio de Valorização no prazo estipulado, os servidores efetivos que ocupam cargos de nível médio e têm formação superior receberam adicional de titulação, e foram designados servidores do quadro para o cargo de diretoria das unidades.
    Como preconiza o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, os diretores que assumiram as unidades socioeducativas têm nível superior e formação na área social, o que tem contribuído para os melhores resultados na boa relação dos agentes socioeducativos com os adolescentes. Um exemplo disso é o servidor de carreira Wanderlan Lima, que assumiu a função de diretoria do CSE Acre em Rio Acre. “Essa sempre foi uma bandeira da categoria: a valorização dos servidores efetivos. Na nova gestão estamos buscando um trabalho conjunto e designando responsáveis por cada setor. Isso tem contribuído muito”, destacou.
    Além disso, outro fator positivo foi a contratação de 53 agentes socioeducativos para atuar em Rio Branco, Sena Madureira e Feijó e Cruzeiro do Sul, sete psicólogos e três assistentes sociais. Os novos servidores participaram de capacitações teórica e prática, e o Instituto implantou o sistema de qualificação continuada para todos os servidores.
    A leitura pode ser o caminho


    Adolescentes buscam na leitura palavras de incentivo para mudança de comportamento (Foto: Angela Peres/Secom)
    Adolescentes buscam na leitura palavras de incentivo para mudança de comportamento (Foto: Angela Peres/Secom)
     Sempre Haverá um Amanhã: um livro que conta a história de um jovem casal que depois de ter dois filhos
    do sexo masculino esperam por uma menina. O sonho de ter uma criança bonita e saudável se desfaz quando a criança começa a crescer e apresenta comportamento diferente das demais. Ela demonstra um retardo mental. O narrador conta os desafios para superar os preconceitos e fazer com que a menina estude em uma escola regular.
    Artesanato é uma das formas de manter a mente dos adolescentes voltada para novas atitudes (Fotos: Angela Peres/Secom)
    Artesanato é uma das formas de manter a mente dos adolescentes voltada para novas atitudes (Fotos: Angela Peres/Secom)
    Artesanato é uma das formas de manter a mente dos adolescentes voltada para novas atitudes (Fotos: Angela Peres/Secom)
    Uma Luz no Fim do Túnel fala da história de um rapaz pobre que queria entrar no bando de um traficante, por admirar a trajetória do mundo do crime. Ele acaba de fato se envolvendo com as drogas e o tráfico. A namorada também tem a vida marcada pela falta de dinheiro e de perspectivas. Um livro realista e duro, que procura mostrar a realidade de muitos jovens e a necessidade de adaptação a um cotidiano de lutas e de trabalho.
    Já o livro Nunca Desista dos Seus Sonhos fala da importância de se ter sonhos. Através da história de vida de quatro personagens, o autor mostra que a vitória depende dos sonhos que se cultiva e de perseverança. A leitura tem sido um diferencial na aplicação de medidas socioeducativas do ISE. Os relatos das histórias narradas nos livros foram feitos por dois adolescentes que estão no Centro Socioeducativo Purus, em Sena Madureira, à espera de julgamento. Eles contam que buscam na leitura forças para superar os dias de internação.
    Durante o atendimento inicial nos centros, foi constatado que os dois menores não possuem o mesmo perfil dos demais que estão internados. Eles são primários e até cometerem o ato infracional não tinham relação com o mundo da criminalidade.
    “Aprendi que a gente precisa ter sonhos, porque as barreiras existem. Temos que ser persistentes. Eu não era muito chegado a ler antes de vir para cá, mas estou aprendendo muito com os livros”, destacou Ricardo. Ele conta ainda que se envolveu com drogas por causa da curiosidade e também de companhias erradas. “Pensava nos prazeres e não no futuro. Agora tenho que dar mais valor à liberdade e aos conselhos da minha mãe. Aqui dentro temos tempo para refletir, de pensar no sofrimento que estamos causando à nossa família”, detalha.,
    *os nomes dos menores são fictícios
     
    Atividades esportivas fazem parte do dia-a-dia dentro dos Centros Socioeducativos (Foto: Angela Peres/Secom)
    Atividades esportivas fazem parte do dia-a-dia dentro dos Centros Socioeducativos (Foto: Angela Peres/Secom)
    Também com 15 anos, Leandro estava cursando o 1º ano do ensino médio quando se envolveu em um briga e cometeu uma tentativa de homicídio. “Minha família é estruturada. E por impulso estou fazendo sofrer aqueles que nunca me abandonaram. Tenho que ter sabedoria para vencer as provas da vida”, diz.